Combate à pandemia

Entenda quais são e de onde vem as vacinas contra a Covid-19 em vias de uso no Brasil

Dois imunizantes solicitaram autorização para uso emergencial junto à Anvisa e um terceiro ainda conversa com o governo
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13 de janeiro de 2021
Teste com voluntário para vacina contra a Covid-19
Teste com voluntário para vacina contra a Covid-19. (Foto: Governo do Estado de São Paulo)

Até o momento, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) analisa a aprovação para uso emergencial de duas vacinas: a CoronaVac e a da Oxford/AstraZeneca. A previsão é que a Anvisa dê ou não o aval no próximo domingo (17).

O Plano Nacional de Vacinação elaborado pelo governo federal, por meio do Ministério da Saúde, cita 13 imunizantes que estão em testes pelo mundo e que podem vir a ser usados no programa brasileiro. No entanto, aqui serão focados aqueles cuja utilização está mais próxima.

Saiba mais sobre os imunizantes que podem ser aplicados na população brasileira e por que é necessário mais de um fornecedor para o plano de imunização ter êxito.

Coronavac

A Coronavac terá produção nacional com a parceria entre a farmacêutica chinesa Sinovac e o Instituto Butantan, que até então coordenou os testes da etapa 3 no Brasil. Desde o início, se tornou aposta do governador de São Paulo, João Doria (PSDB), para iniciar a imunização no estado antes da campanha nacional, ao mesmo tempo em que virou alvo de diversos pronunciamentos do presidente Jair Bolsonaro.

Apesar de Bolsonaro ter afirmado em outubro de 2020 que o Brasil não compraria a “vacina chinesa”, o Ministério da Saúde anunciou no último dia 7 a assinatura do contrato para compra de 100 milhões de doses da Coronavac, iniciando com 46 milhões no primeiro semestre. 

O imunizante tem eficácia geral de 50%, ou seja, tem o potencial de reduzir pela metade as chances de quem foi vacinado se infectar. Quanto à marca de 78% divulgada na semana passada, significa que a vacina evitou sintomas leves em 78 das 100 pessoas de um dos grupos de voluntários nos testes. Portanto, a Coronavac diminuirá a taxa de ocupação dos hospitais, ao reduzir a necessidade de internação.

Oxford/AstraZeneca

A Fundação Oswaldo Cruz negociou a compra de 2 milhões de doses do Instituto Serum, da Índia. Lá, são produzidas doses da vacina de Oxford feita em parceria com a AstraZeneca. Com esse acordo, a Fiocruz também anunciou que produzirá, nacionalmente, 1 milhão de doses da mesma vacina.

A promessa é de que os aviões que irão buscar as doses partam nesta sexta-feira (15). Um deles irá para a Índia, trazer as doses prontas, e outro irá para a China buscar os insumos necessários para a produção na Fiocruz. 

Ela tem eficácia média de 70% (após duas doses), de acordo com estudo publicado na revista The Lancet, oferece facilidade no transporte e armazenamento e teve testes realizados no Brasil. A importação foi aprovada enquanto o processo de certificação, que está em análise, prossegue. No Reino Unido, recebeu o aval desde dezembro de 2020 e já faz parte do plano de imunização britânico, um dos primeiros a ter início. 

Pfizer e embates com a Anvisa

O interesse de compra da vacina da Pfizer e BioNtech, nomeada de BNT162, foi anunciada pelo Ministério da Saúde em 10 de dezembro de 2020, através da assinatura de um memorando de intenções para aquisição de 70 milhões de doses. Na época, Pazuello afirmou que, com o aval da Anvisa para uso emergencial, a aplicação poderia começar ainda no fim de dezembro e começo de janeiro de 2021.

Até o fechamento deste texto, no entanto, a Pfizer ainda não entrou com o pedido de aprovação para uso emergencial. A farmacêutica estadunidense afirmou que as exigências da Anvisa impedem que o imunizante seja liberado a curto prazo e, em nota, declarou que oferece a vacina para o Brasil desde agosto de 2020. Já o governo brasileiro diz que a empresa não tem doses suficientes para fornecer ao país e está culpando a agência pelos próprios entraves.

Ainda em dezembro, o presidente Jair Bolsonaro fez um discurso que viralizou: “Lá no contrato da Pfizer, está bem claro, nós [a Pfizer] não nos responsabilizamos por qualquer efeito colateral. Se você virar um jacaré, é problema seu”.

Sobre a última reunião entre a Anvisa e a Pfizer, realizada nesta terça (12), a agência afirmou que deu orientações e respondeu dúvidas sobre o processo de liberação emergencial.

Vale lembrar que a BNT162 utiliza tecnologia de RNA mensageiro e por isso, precisa de uma infraestrutura diferenciada de armazenamento: exige refrigeração de – 70°C. A fórmula tem 95% de eficácia após duas doses e foi a primeira a ser aplicada na população de lugares como Reino Unido, Estados Unidos, Canadá, Chile e México.

Por que precisamos de diferentes vacinas

Em entrevista ao MyNews, o infectologista e ex-ministro da Saúde Alexandre Padilha explicou que num país como o Brasil, uma cobertura vacinal rápida e eficiente precisa contar com diferentes fabricantes. Padilha chefiou o Ministério da Saúde durante a pandemia de H1N1, que iniciou em 2009.

No entanto, como a imunização é feita por duas doses em todas as fórmulas, não pode haver mistura entre as vacinas. Por exemplo: quem tomar como primeira dose a Coronavac, não pode tomar na segunda dose a da Oxford. As duas precisam ser iguais. 

Quanto ao início das aplicações, o ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, afirmou no último dia 11 que os estados receberão os imunizantes para aplicação cerca de três ou quatro dias após aprovação da Anvisa. Também reforçou que a distribuição será simultânea e exclusiva pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

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