“Risco das comunidades negras é pelo racismo institucionalizado”, diz Samuel Vida Racismo

“Risco das comunidades negras é pelo racismo institucionalizado”, diz Samuel Vida

Professor aponta responsabilidade de polícia, Ministério Público e Judiciário no racismo institucionalizado

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  • Samuel Vida, advogado e professor de direito da UFBA, afirmou que o racismo institucionalizado coloca em risco as comunidades negras.
  • Ele denunciou que a política de segurança pública é “letal” e baseada em uma policização violenta que funciona como carta branca para ações policiais desmedidas.
  • Segundo o professor, a maioria das vítimas negras são jovens, o que gera impacto demográfico, desestrutura famílias e afeta a comunidade.
  • Vida apontou que milhares de jovens negros são condenados por crimes que não cometeram, com base apenas em reconhecimentos mal conduzidos, responsabilizando polícia, Ministério Público e Judiciário.
Samuel Vida. Foto: Arquivo pessoal

O advogado e professor de direito da Universidade Federal da Bahia Samuel Vida, Ogan de Xangô do Terreiro do Cobre, afirmou que o racismo institucionalizado coloca em risco comunidades negras. Segundo ele, a política de segurança contribui para isso.

“O que existe de fato é uma política de segurança pública que é profundamente letal, baseada na ideia de policização violenta que confunde o direito à segurança pública com uma espécie de carta branca para uma ação policial desmedida, ilegal, acima de qualquer padrão de regulação civilizado, inclusive aquele que formalmente vigora no país”, disse em entrevista ao programa Almoço, do MyNews.

Ele explicou que os jovens são a maioria entre os mortos negros, o que impacta demograficamente, deixa famílias desestruturadas e afeta a comunidade. Também ressaltou que há “milhares de jovens negros condenados por crimes que não cometeram e tendo como prova apenas um reconhecimento mal conduzido”.

Na avaliação do professor, polícia, Ministério Público e poder Judiciário têm responsabilidade no racismo institucionalizado. “O que de fato põe em risco as comunidades negras é o racismo institucionalizado. É aquele que opera a partir de uma lógica invisível a primeira vista, não explicitamente anunciado em termos raciais, mas que produz um efeito racializado. A polícia não sai às ruas dizendo que vai matar negros, mas ela mata negro e mata muitas vezes de forma bárbara”. Ministério Público e poder Judiciário têm responsabilidade, segundo ele, quando avalizam essas ações. “O Ministério Público avaliza essas ações abusivas e ilegais, tolerando ou fazendo vistas grossas. E sobretudo o Judiciário que na fase de apuração judicial, de instrução, de coleta de provas, e no processo de julgamento reproduz grosseiramente essas manifestações preconceituosas e detrimentosas aos negros. Então temos um sistema que opera coletivamente”. disse.

Assista a íntegra da entrevista aqui:

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