Pandemia

Pesquisadora de Oxford explica relação entre covid-19 e o “fungo preto”

A mucormicose não é uma enfermidade nova e seu aparecimento pode estar ligado a quadros de imunidade baixa
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Autoridades brasileiras estão investigando o aparecimento de pacientes com covid-19 que também apresentam mucormicose, popularmente conhecida como fungo preto. Em entrevista ao MyNews, a médica infectologista Ana Luiza Gibertoni Cruz, pesquisadora da Universidade de Oxford, fala sobre a doença que pode estar associada à pandemia e que causa manchas escuras na pele. Ela fala de sintomas, formas de contágio e tratamentos.

Cruz explica que a enfermidade não surgiu agora, mas sua forma mais invasiva é rara, já que na maioria das vezes que se entra em contato com esse fungo, o próprio corpo se encarrega de acabar com ele. Ela fala ainda que esse fungo é ambiental e que está presente em quase todos os países, principalmente os que tem clima mais úmido e quente, que ele se encontra principalmente no solo e em matéria orgânica em decomposição.

“Uma estratégia do fungo, para ele se reproduzir, é a formação de uma estrutura chamada esporo, que é uma estrutura que fica latente, é capaz de ficar em suspensão no ar. A forma mais comum de uma pessoa se contaminar com isso é através da inalação, essas partículas estão em suspensão no ar, eu inalo e elas vão na cavidade aérea. A absoluta maioria não vai sofrer nunca com uma doença causada por esse fungo, porque o nosso sistema imune dá conta, o sistema imune da mucosa mesmo consegue fagocitar, ou seja, elas são macrófagas, que é uma das células do sistema imune que tem a função de englobar esses esporos e acabar com o problema”, argumenta a médica.

As pessoas mais suscetíveis a forma mais agressiva da mucormicose são pacientes que estão em tratamentos com drogas imunossupressoras para câncer, por exemplo, pacientes que passaram por transplante de órgãos, e precisam tomar medicamento para reprimir o sistema imune e pacientes diabéticos.

“Se nós inalamos esse fungo e ele vai parar no seios da face, que são as aberturas nos ossos que favorecem a respiração, ele cresce e é muito fácil, por conta da formação da estrutura óssea da nossa face, para essa estrutura fúngica ter acesso aos olhos ou a parte cérebro, sistema nervoso central diretamente. Mas o fungo já está aí, não é que tem mais fungo agora do que tinha antes, é importante entender isso”, esclarece a pesquisadora.

O tratamento para infecções fúngicas, assim como para vírus, diz Cruz, usa dois tipos de drogas mais conhecidas: o grupo da anfotericina e o outro dos azoles. Isso faz com que o tratamento seja caro, podendo ficar em torno de R$ 450 mil reais.

Sobre o número relevante de casos graves da mucormicose estar mais presente na Índia, a infectologista analisa que tudo lá favorece para esse quadro. “Um país de um milhão e quatrocentos milhões de pessoas com uma pandemia completamente fora de controle, a cada dia o número de casos reportados é quase 150 mil novos casos diários, com uma cobertura hospitalar ruim e, além de tudo, a Índia é o segundo país onde mais existem pessoas diabéticas do mundo, acredita-se que mais de 10% da população mundial tenha a diabetes, provavelmente não tem essa diabetes controlada, então você junta isso com a pandemia de covid-19 fora de controle”.

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