Investigação

Mortes causadas pelo descontrole da pandemia diminuem os gastos do Estado, diz sanitarista na CPI

Em dia de depoimentos de cientistas, colegiado discute os erros de política pública do Brasil no enfrentamento ao novo coronavírus
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Ao custo da vida de brasileiros, o descontrole da pandemia de covid-19 ajuda o Governo Federal a gastar menos. A avaliação é do médico sanitarista e ex-diretor da Anvisa Cláudio Maierovitch na CPI da Pandemia nesta sexta-feira (11). Para ele, o Brasil desperdiçou o Sistema Único de Saúde (SUS) e poderia ter sido um dos melhores países do mundo no enfrentamento ao novo coronavírus.

“A aparência de inexistência de um plano talvez revele muito mais, talvez revele a existência de um plano, de um plano que parou em março de 2020 quando alguns, felizmente poucos líderes internacionais acreditavam que o melhor caminho para vencer a crise era que a doença se espalhasse rapidamente e quem tivesse que morrer, morreria e quem sobrevivesse continuaria tocando a economia, como se diz. Morreriam provavelmente os mais frágeis, desonerando a previdência, desonerando o serviço de saúde, ou seja, do ponto de vista econométrico poderia ter se até um acontecimento positivo”, diz Maierovitch.

O sanitarista também destacou que rejeita o termo “imunidade de rebanho”, embora reconheça que ele possa ser aplicado ao Brasil. “Rebanho se aplica a animais e fomos tratados dessa forma, acredito que a população tem sido tratada dessa forma ao se tentar produzir imunidade de rebanho às custas de vidas humanas”, disse Maierovitch.

Também presente nesta sexta-feira na CPI, a microbiologista Natália Pasternak afirmou que os remédios do “Kit Covid” defendidos pelo Governo Federal nunca foram utilizados de maneira conjunta e estão sendo oferecidos para a população,. “Pode levar as pessoas para a fila dos transplantes [de órgãos]”, diz a especialista.

O relator da CPI da Pandemia, Renan Calheiros (MDB-AL), alertou que pessoas que já prestaram depoimentos ao colegiado poderão ser convocadas novamente, mas desta vez como investigados.

“Nós não temos, até então, investigados, na forma da lei, da legislação, na forma do regimento. Talvez a próxima etapa da investigação seja já colocar alguma dessas pessoas que já estiveram na comissão parlamentar de inquérito na condição de investigado, não mais como testemunha”, destacou Calheiros.

Da esquerda para a direita: médico sanitarista da Fundação Oswaldo Cruz e ex-presidente da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), Cláudio Maierovitch; vice-presidente da CPI da Pandemia, senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP); microbiologista e pesquisadora da Universidade de São Paulo (USP), Natalia Pasternak; relator da CPI da Pandemia, senador Renan Calheiros (MDB-AL). Foto: Jefferson Rudy/Agência Senado
Da esquerda para a direita: médico sanitarista da Fundação Oswaldo Cruz e ex-presidente da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), Cláudio Maierovitch; vice-presidente da CPI da Pandemia, senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP); microbiologista e pesquisadora da Universidade de São Paulo (USP), Natalia Pasternak; relator da CPI da Pandemia, senador Renan Calheiros (MDB-AL). Foto: Jefferson Rudy/Agência Senado
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