O dinheiro que saiu de Manhattan Foto: divulgação

O dinheiro que saiu de Manhattan

00:00 A+ A- Ler o resumo da notícia Até 2022, 27 % dos investimentos do programa EB‑5 para Green Card eram destinados a empreendimentos imobiliários em Nova York. Em 2022, o Congresso dos EUA reservou 20 % dos vistos EB‑5 para projetos em áreas rurais e priorizou seu processamento. O investimento rural passou de US$ 354 mi acumulados desde […]

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  • Até 2022, 27 % dos investimentos do programa EB‑5 para Green Card eram destinados a empreendimentos imobiliários em Nova York.
  • Em 2022, o Congresso dos EUA reservou 20 % dos vistos EB‑5 para projetos em áreas rurais e priorizou seu processamento.
  • O investimento rural passou de US$ 354 mi acumulados desde 1990 para mais de US$ 5 bi em apenas três anos.
  • O capital que antes financiava torres próximas ao Central Park agora sustenta projetos em condados rurais que nunca haviam recebido recursos desse programa.

Trabalho todo dia com famílias que avaliam residência permanente nos Estado Unidos (Green Card) por investimento. Nos últimos três anos, uma coisa mudou nesse mercado e quase ninguém no Brasil percebeu.

Até 2022, o capital estrangeiro de quem só queria o Green Card financiava torres em Nova York. A cidade concentrava 27% de todo o investimento do programa imigratório. Hoje concentra cerca de 5%.

O que aconteceu com o mercado imobiliário de Nova York nesse intervalo que justifique uma queda dessas? Nada.

O que mudou foi a lei. Em 2022, o Congresso americano reservou 20% dos vistos do programa EB-5 (o visto de investidor) para projetos em áreas rurais e deu prioridade no processamento desses vistos. Não subsidiou essas regiões com dinheiro. Subsidiou com tempo. E tempo é o ativo mais caro que existe.

O resultado veio rápido: o investimento rural saiu de US$ 354 milhões acumulados em toda a história do programa (desde 1990) para mais de US$ 5 bilhões em três anos. O mesmo dinheiro que comprava vista para o Central Park hoje financia projetos em condados que nunca tinham visto um dólar desse programa.

Isso tem nome: arbitragem regulatória. A alocação não está seguindo fundamento imobiliário. Está seguindo a cláusula de visto.

O que isso significa para o investidor brasileiro de alta renda?

A leitura errada é “achei um bom imóvel em Miami.” Não é disso que se trata.

O EB-5 exige US$ 800 mil em projeto qualificado. Numa carteira de vários milhões de dólares, isso é uma fatia pequena do tamanho de uma posição em alternativos. E o que se compra com ela não é retorno. É opção.

Opção de mandar um filho hoje pequeno estudar nos EUA daqui a dez anos, já como residente, sem depender do que a regra for naquele momento. Opção de mudar a família inteira. Opção de não fazer nada.

Porque esta é a parte que raramente se explica: ninguém é obrigado a seguir. Não há multa por desistir do processo, nem obrigação de emigrar.

O que não existe é liquidez. Desistir da imigração é simples. Sacar o dinheiro não é. Quem confundir as duas coisas vai se decepcionar.

Arbitragem regulatória dura enquanto a regra durar. Isso vale para o dinheiro que saiu de Manhattan e vale para quem está pensando em entrar agora.

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