Foto: Folha de São Paulo
Exonerado sob justificativa de atuar em campanha, ex-assessor tentou conter desgaste gerado por investigação da Polícia Federal sobre empréstimo suspeito
O pivô da nova crise no Palácio do Planalto é Marco Aurélio Ribeiro, o “Marcola”. Ele exercia o cargo de chefe de gabinete do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A princípio, a sua exoneração ocorreu para integrá-lo à campanha eleitoral do PT. No entanto, o afastamento antecipado ocorreu por conta de uma investigação da Polícia Federal. Consequentemente, a divulgação iminente do caso apressou a sua saída do governo.
A suspeita central envolve um empréstimo de R$ 249 mil com Roberta Luchsinger. A empresária é citada na CPMI que apura fraudes no INSS. Por sua vez, Ribeiro alegou que a transação foi apenas um negócio particular. Apesar dessa justificativa, a explicação não convenceu os aliados políticos. Além disso, o episódio acendeu o alerta na base governista, que já tentava evitar convocações incômodas na comissão.
Por causa do potencial desgaste, a permanência do assessor tornou-se inviável. Dessa forma, nomes históricos do PT, como Gilberto Carvalho, aconselharam a sua saída imediata. O presidente Lula demonstrou profunda irritação com o episódio. Afinal, o chefe de gabinete é o auxiliar mais próximo do presidente. Ele controla a agenda diária e acompanha todas as visitas no Planalto.
Portanto, a demissão buscou conter os danos à imagem da gestão federal. Mesmo assim, o caso reabre vulnerabilidades políticas em um momento delicado. Vale lembrar que Ribeiro ganhou a confiança de Lula durante a prisão em Curitiba. Por isso, a sua queda tem um peso simbólico elevado dentro do partido.
Em suma, a medida reflete a postura reativa do governo diante de crises. O escândalo junta-se a outras pressões recentes sobre o Executivo. Como resultado, a oposição ganha munição para novos ataques. Enquanto isso, o Planalto tenta reajustar a sua estratégia para evitar maiores prejuízos eleitorais.