Pré-candidato da Missão é levado à delegacia após ser acusado de invasão à prefeitura

Pré-candidato da Missão é levado à delegacia após ser acusado de invasão à prefeitura

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Pré-candidato a deputado federal pela Missão Gabriel Piauhy afirma que foi à prefeitura para cobrar esclarecimentos sobre obras públicas; boletim de ocorrência registra denúncia de suposta tentativa de invasão ao gabinete do prefeito e posse de arma de fogo falsa

O pré-candidato a deputado federal pela Missão, Gabriel Piauhy, foi conduzido à Delegacia de Polícia de Capivari na tarde desta quarta-feira (29), após uma abordagem da Guarda Civil Municipal (GCM) motivada por uma denúncia de suposta tentativa de invasão ao gabinete do prefeito. A ocorrência foi registrada depois que Piauhy e outras cinco pessoas estiveram na sede da prefeitura para questionar a administração municipal sobre obras públicas.

 

De acordo com o boletim de ocorrência (B.O.) obtido pela coluna, a equipe da GCM foi acionada pelo Centro de Comunicações (CECOM) para averiguar uma denúncia envolvendo uma possível invasão ao prédio da prefeitura. Durante o deslocamento, os agentes receberam a informação de que os ocupantes de um veículo, que deixava o local naquele momento, seriam os envolvidos na ocorrência.

Os guardas realizaram a abordagem do automóvel, identificaram os seis ocupantes e efetuaram buscas pessoais e vistoria no veículo. Conforme o registro policial, não foram encontradas pendências judiciais contra os abordados. 

No entanto, durante a revista em um dos membros da equipe, os agentes localizaram um simulacro de arma de fogo preso à cintura. Segundo o relato no boletim, ele informou que carregava o objeto para a própria segurança e a dos demais integrantes do grupo. No Brasil o porte de uma réplica de arma de fogo não configura crime, podendo ser feita a apreensão administrativa do material.

Piauhy diz que apurava obras públicas

Questionado pela coluna, Gabriel Piauhy afirmou que a equipe esteve em Capivari após receber documentos relacionados à execução de uma obra pública.

Recebemos um documento de execução de obra, e fomos conferir se consta o que foi construído na praça.

Segundo o pré-candidato, o grupo aguardou cerca de 45 minutos para ser atendido e buscava esclarecimentos sobre supostas irregularidades em obras no município.

Esperamos durante 45 minutos para sermos atendidos. Falamos com o chefe de gabinete, fizemos os questionamentos e foram negadas as respostas. Eles alegaram que invadimos o gabinete e chamaram a Guarda Municipal de Capivari. Estávamos deixando o local quando fomos abordados. Apontaram a arma para nós e fomos levados para prestar esclarecimentos. Os policiais fizeram o trabalho deles, nenhuma crítica a isso. Mas ficou feio para a prefeitura.

Em uma publicação nas redes sociais, Gabriel Piauhy também afirmou que ele e sua equipe foram levados à delegacia após questionarem o chefe de gabinete sobre obras que, segundo ele, apresentam indícios de superfaturamento. Na mesma publicação, declarou que a alegação apresentada pelo gabinete para o acionamento da Guarda Municipal foi de tentativa de invasão e desobediência.

Versões apresentadas

À polícia, Gabriel Piauhy declarou que compareceu à prefeitura acompanhado dos demais ocupantes do veículo com o objetivo de solicitar esclarecimentos à administração municipal. Segundo seu depoimento, o grupo foi atendido pelo chefe de gabinete da prefeitura. Após a conversa, os integrantes deixaram o prédio realizando gravações com aparelhos celulares.

Uma das testemunhas relatou no B.O. que seis pessoas ingressaram na prefeitura, sendo que uma delas filmava enquanto os demais questionavam a ausência do prefeito. Conforme sua versão, mesmo após serem informados de que o chefe do Executivo não estava no local, os visitantes continuaram insistindo nos questionamentos e passaram a desacreditar das informações prestadas, adotando, segundo ele, uma postura considerada ameaçadora.

Ainda conforme o boletim de ocorrência, o chefe de gabinete tentou retornar à sua sala, momento em que Gabriel Piauhy teria colocado o pé na porta, impedindo seu fechamento. A situação foi interpretada pelos funcionários como uma tentativa de invasão ao gabinete, o que motivou o acionamento da Guarda Civil Municipal.

O registro policial também informa que, durante a ocorrência, o sistema automatizado de leitura de placas indicou que o veículo abordado possuía poucas passagens pelo município, circunstância que, segundo o documento, elevou o nível de atenção da equipe durante a intervenção.

Ao término da ocorrência, todos os envolvidos foram conduzidos à Delegacia de Polícia de Capivari para apreciação da autoridade policial. O simulacro de arma de fogo foi apreendido e as partes prestaram depoimento.

A coluna entrou em contato com a prefeitura que enviou uma nota. Confira abaixo:

A Prefeitura de Capivari informa que um cidadão compareceu ao Paço Municipal acompanhado de outras pessoas e foi atendido pelo chefe de Gabinete para apresentar seus questionamentos. Durante o atendimento, houve um desentendimento. Segundo o relato registrado pelos servidores envolvidos, o cidadão teria tentado acessar uma área interna e restrita do Gabinete sem autorização, mesmo após ter sido orientado a não entrar. Diante da situação e por se sentirem ameaçados, os servidores acionaram a Guarda Civil.

Antes da chegada da equipe, o grupo deixou o Paço Municipal. Posteriormente, as pessoas foram localizadas nas imediações e abordadas pelos agentes. Durante a ocorrência, foi localizado um objeto com aparência de arma de fogo, posteriormente identificado, conforme o registro da Guarda Civil, como um simulacro. Os envolvidos foram encaminhados à Delegacia de Polícia, onde a ocorrência foi apresentada à autoridade policial competente, responsável pela avaliação dos fatos e pela adoção das providências cabíveis.

A Prefeitura ressalta que o atendimento aos cidadãos é realizado de forma respeitosa e democrática, assegurando o direito de manifestação e de questionamento, desde que sejam respeitadas as normas de acesso, a integridade dos servidores e o funcionamento das repartições públicas. Por se tratar de ocorrência encaminhada à Polícia Civil, eventuais informações complementares sobre o enquadramento dos fatos e os procedimentos adotados devem ser solicitadas à autoridade policial.

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