Foto: Revista Veja
Presidente do PSD critica o tom da convenção do PL, enquanto episódios com Milei e uso de IA por Flávio Bolsonaro desviam o foco do debate de propostas e abrem nova crise diplomática e eleitoral
A polêmica convenção do PL continua gerando fortes desdobramentos na política e na diplomacia. Em entrevista ao vivo ao programa Panorama, da VIP My News, o presidente do PSD, Gilberto Kassab, criticou a condução do evento liderado por Flávio Bolsonaro.
Segundo o dirigente, o encontro errou ao deixar de lado o debate de propostas reais. Além disso, Kassab afirmou que a militância ficou em segundo plano diante de controvérsias envolvendo Javier Milei e o uso de inteligência artificial.
Em paralelo, a presença do presidente argentino no evento eleitoral causou um forte mal-estar diplomático. Durante o ato, Milei desferiu ataques diretos a autoridades brasileiras. Por isso, a fala provocou reações imediatas do Supremo Tribunal Federal e do Ministério das Relações Exteriores.
No entanto, as repercussões não pararam por aí. A oposição argentina questionou o uso de recursos públicos e de aviões oficiais para um evento partidário no Brasil. Consequentemente, a conduta acentuou os riscos para uma relação comercial histórica entre os dois países.
Além da crise diplomática, a convenção virou alvo do Tribunal Superior Eleitoral. A polêmica começou após a exibição de um avatar gerado por inteligência artificial simulando a imagem e a voz de Jair Bolsonaro. Por causa disso, o ministro Alexandre de Moraes cobrou explicações oficiais da campanha.
Em sua defesa, a equipe de Flávio Bolsonaro argumentou que o vídeo continha um aviso sobre a tecnologia. Da mesma forma, a defesa tentou comparar a projeção digital com o uso de máscaras de papelão. Contudo, juristas consideraram a justificativa frágil perante o risco de desinformação dos eleitores.
Portanto, o episódio acendeu o alerta em analistas sobre a qualidade do debate público. Ao focar em embates ideológicos e provocações, os candidatos correm o risco de ignorar os problemas estruturais do país.
Como resultado, os planos de governo podem acabar relegados ao segundo plano na corrida eleitoral. Afinal, a prevalência de narrativas e provocações ameaça afastar a população das discussões centrais do Brasil.