Gargalo orçamentário desafia a infraestrutura e põe execução do PAC em risco Foto: divulgação

Gargalo orçamentário desafia a infraestrutura e põe execução do PAC em risco

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Em entrevista ao MyNews, economista Venilton Tadini alerta para o desalinhamento entre prioridades do Executivo e a destinação de verbas pelo Congresso Nacional

Em primeiro lugar, a falta de verba na infraestrutura brasileira não decorre da escassez de recursos. Pelo contrário, o problema real está na alocação ineficiente do dinheiro público. Portanto, essa é a avaliação de Venilton Tadini, presidente da Abidib, em entrevista ao programa Café do MyNews. Atualmente, o investimento federal direto no setor não atinge R$ 25 bilhões. Por outro lado, o Orçamento da União soma R$ 2,6 trilhões. Além disso, o montante para emendas parlamentares saltou para quase R$ 60 bilhões em seis anos. Consequentemente, essa pulverização de verbas ignora o planejamento de longo prazo do país.

O Impacto Direto nas Obras Estruturantes do PAC

Como resultado, esse descasamento orçamentário trava a capacidade de execução do governo. Por causa disso, projetos estratégicos como o PAC 3 e a Nova Indústria Brasil acabam prejudicados. De fato, o plano atual é moderno e focado em transição energética. No entanto, a falta de aporte público impede o avanço de obras essenciais. Por exemplo, o transporte ferroviário e a mobilidade urbana sofrem diretamente com esse gargalo. Além do mais, a manutenção prolongada de subsídios a setores específicos drena centenas de bilhões do Tesouro Nacional.

O Protagonismo da Iniciativa Privada no Setor

Apesar disso, mesmo com as travas públicas, o investimento total no setor cresceu bastante. Nesse sentido, a marca saltou de R$ 160 bilhões para R$ 300 bilhões anuais. Sobretudo, o capital privado impulsionou esse avanço e hoje responde por 80% do total. Em suma, esse crescimento reflete a maturidade regulatória vinda do Programa de Parcerias de Investimentos (PPI). Assim, setores como energia e telecomunicações operam quase inteiramente com a iniciativa privada. Da mesma forma, o saneamento básico também avança rápido após o novo marco regulatório.

O Papel Essencial do Estado em Grandes Projetos

Entretanto, o setor privado não consegue resolver todo o problema sozinho. Por isso, o Estado precisa assumir seu papel complementar em projetos complexos. Afinal, esse é o caso de ferrovias e transportes sobre trilhos nas metrópoles. Dessa forma, essas áreas exigem garantias públicas por meio de Parcerias Público-Privadas (PPPs). Em conclusão, sem um planejamento focado em metas de longo prazo, o país perde potencial de crescimento. Por fim, o resultado é a manutenção de custos logísticos altos que afetam a competitividade nacional.

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