Marcello Casal Jr/Agência Brasil/Arquivo
Especialista afirma que Banco Central segue técnico diante das pressões políticas e alerta que conflitos internacionais já afetam inflação, petróleo e juros no Brasil
A decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) de reduzir a taxa básica de juros em 0,25 ponto percentual veio dentro do esperado pelo mercado. Mesmo assim, segundo o gestor e sócio da GT Capital, Marcus Labarthe, o cenário internacional impediu um corte mais agressivo. Em entrevista, ele afirmou que os conflitos no Oriente Médio já pressionam economias do mundo inteiro e impactam diretamente o bolso dos brasileiros.
Para Labarthe, o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, mantém uma postura “extremamente técnica”, apesar das pressões políticas por uma queda mais rápida da Selic. O especialista comparou o momento econômico a um carro “acelerando e freando ao mesmo tempo”. Segundo ele, enquanto o governo tenta estimular a economia com mais gastos, o Banco Central usa os juros para controlar a inflação.
O gestor também afirmou que a guerra mudou as projeções para os juros em 2026. Antes dos conflitos, o mercado esperava um afrouxamento monetário mais forte. Agora, bancos e investidores já revisam suas estimativas. Além disso, Labarthe alertou que a alta do petróleo pode continuar elevando os preços dos combustíveis, da energia e dos alimentos. Isso dificulta cortes mais rápidos na Selic.
Apesar das incertezas, os títulos do Tesouro IPCA+ seguem entre os investimentos mais atrativos do momento. Os papéis oferecem juros reais acima de 7% ao ano, além da inflação. Labarthe defendeu a diversificação internacional dos investimentos. Ele afirmou acreditar em uma valorização futura do dólar frente ao real. “O investidor precisa aproveitar o que os estrangeiros já estão aproveitando”, declarou.