A nova fase da Operação Compliance Zero colocou ainda mais pressão sobre o banqueiro Daniel Vorcaro. A ação da Polícia Federal teve como alvo o senador Ciro Nogueira e foi interpretada por especialistas como um recado claro: as investigações vão continuar avançando, com ou sem delação premiada, segundo o Terra.
A defesa de Vorcaro entregou uma proposta inicial de colaboração à PF na quarta-feira (6), mas o material estaria longe do esperado. Segundo criminalistas ouvidos pela BBC News Brasil, autoridades como a PF, a PGR e o STF têm adotado critérios mais duros para aceitar acordos. A avaliação é que não basta confirmar o que os investigadores já sabem. A delação precisa trazer informações novas, relevantes e atingir o coração do esquema.
As suspeitas envolvendo Ciro Nogueira aumentaram a tensão do caso. De acordo com a PF, o senador teria recebido pagamentos recorrentes e outras vantagens em troca de favorecimentos ao Banco Master. Os investigadores também apontam que uma proposta apresentada no Senado teria sido escrita por assessores ligados ao banqueiro. A defesa do parlamentar nega qualquer irregularidade.
O caso já provoca desgaste dentro do próprio Supremo. O ministro André Mendonça afirmou que qualquer colaboração precisa ser “séria e efetiva”. Nos bastidores, cresce a expectativa sobre até onde Vorcaro estaria disposto a ir, especialmente diante de citações envolvendo nomes como Alexandre de Moraes e Dias Toffoli.