Foto: Agência Brasil
Especialista conta que, sem previsão de cortes na taxa Selic, o controle de gastos é essencial para evitar o endividamento das famílias
Em entrevista ao Café do MyNews, o economista Leonardo Baldez analisou o atual cenário macroeconômico brasileiro e os desafios impostos pela taxa de juros elevada. Segundo o especialista, o ambiente externo conturbado, somado à pressão dos juros nos Estados Unidos e aos conflitos geopolíticos no Oriente Médio, limita o espaço para quedas substanciais na Selic, indicando a manutenção dos juros em dois dígitos. No Brasil, os gastos públicos elevados e a alta inadimplência limitam a ação do COPOM.
Paralelamente às incertezas macroeconômicas, o endividamento da população preocupa o mercado. Para Baldez, iniciativas de renegociação, como o programa Desenrola, oferecem um alívio pontual, mas não atacam a raiz do problema. Sem mudança de comportamento, o consumidor pode limpar o nome, mas volta a se endividar rapidamente; o forte assédio das ofertas de cartão de crédito agrava ainda mais esse cenário.
Segundo o especialista, a falta de educação financeira é o maior desafio do país, somada à dependência do consumidor em relação aos grandes bancos. Em um cenário com taxas de juros altas, delegar decisões financeiras a terceiros sem visão clara sobre receitas e despesas torna a saúde financeira insustentável.
Para proteger o patrimônio com juros altos, o especialista sugere investir no básico: a melhor opção é focar na renda fixa. Para quem precisa comprar bens, o consórcio surge como boa alternativa ao financiamento. Esse modelo evita as taxas de juros abusivas do mercado. Em resumo, ter disciplina e cortar gastos desnecessários continua sendo a melhor saída para o brasileiro.