Klester Cavalcanti. Foto: Letícia Mota
O jornalista e escritor revelou como seis anos pesquisando para o livro transformaram sua visão de mundo
Klester Cavalcanti, vencedor de três prêmios Jabuti e autor de reportagens em zonas de guerra, traz em seu mais recente livro, histórias e relatos acerca do feminicídio no país. Para o MyNews Entrevista, ele falou sobre as raízes do machismo no Brasil, o processo de criação do livro “Matou Uma, Matou Todas” e o alerta que deixa para a sociedade brasileira.
Em 2017, Cavalcanti começou a notar o volume crescente de notícias sobre feminicídio no Brasil, e quanto mais ele lia sobre o tema, mais conteúdo aparecia.
“Em 2017 eu comecei a me aproximar do tema. Não tava nesse movimento que a gente tem hoje no Brasil, quando se fala disso todos os dias. Mas eu já percebi ali que era um assunto muito importante, muito grave. E foi ali que eu decidi fazer um livro sobre feminicídio”.
A primeira entrevista para o livro aconteceu em fevereiro de 2018, em Recife. Nos seis anos seguintes, Cavalcanti viajou pelo Brasil ouvindo familiares de vítimas, especialistas e representantes de instituições que combatem a violência de gênero. Foram mais de 17 mil páginas de inquéritos lidas e 80 pessoas entrevistadas para dar rosto, nome e humanidade a mulheres que o sistema tentou silenciar. Klester traz uma perspectiva necessária: por que o lar se tornou o lugar mais perigoso para tantas brasileiras?
“Nem essa experiência minha na Síria me mudou tanto como pessoa quanto esse livro, ‘Matou Uma, Matou Todas’. Porque pesquisando, entrevistando as fontes, eu comecei a perceber coisas muito óbvias, como, por exemplo, que eu sou machista.”
Citando Nelson Mandela, Cavalcanti diz que o machismo não é uma característica inata, é um processo de aprendizado social, e isso pode ser mudado. “A gente pode ser ensinado a não ser [machista]. Como saber ouvir um não e respeitar.”
Assista à entrevista completa
O “Matou Uma, Matou Todas” está disponível nas principais livrarias do país.