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Programa de renegociação de dívidas tenta reduzir impacto dos juros altos, enquanto especialistas alertam para o avanço da inadimplência no país
O aumento do endividamento das famílias brasileiras reacendeu o debate sobre os juros cobrados no país. Dessa forma, o tema voltou ao centro das discussões econômicas após críticas publicadas pelo ex-senador Demóstenes Torres em artigo no Poder360. No texto, ele afirmou que até organizações criminosas cobrariam taxas menores do que algumas modalidades de crédito legalizadas no Brasil, como o cartão de crédito e o empréstimo consignado.
Além disso, a discussão ganhou força em meio à nova fase do programa Desenrola, relançado pelo governo federal para renegociar dívidas de milhões de brasileiros. Segundo dados da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), mais de 80% das famílias brasileiras estão endividadas atualmente. Ao mesmo tempo, o cartão de crédito continua sendo um dos principais responsáveis pela inadimplência, principalmente por causa dos juros elevados cobrados pelas instituições financeiras.
No artigo, Demóstenes comparou o cenário atual a uma “indústria da dívida” e criticou o avanço do crédito fácil sem educação financeira. “Há juros de 8% ao mês, acima do dobro cobrado pela máfia italiana, e o cartão de crédito esfolando o cliente em 436% ao ano”, escreveu. Enquanto isso, o governo defende que o Desenrola pode ampliar o acesso ao crédito e facilitar acordos entre bancos e consumidores negativados. A nova etapa do programa prevê descontos nas dívidas, parcelamentos mais longos e juros reduzidos para parte da população.
Por outro lado, especialistas do mercado financeiro avaliam que o Desenrola pode aliviar o problema apenas no curto prazo. Isso porque a combinação entre inflação, perda de renda e crédito caro continua pressionando o orçamento das famílias brasileiras. Economistas alertam que muitos consumidores conseguem renegociar as dívidas inicialmente, mas acabam voltando ao vermelho pouco tempo depois por falta de planejamento financeiro.