Crise com detergente vira combustível digital Foto: Metrópoles

Crise com detergente vira combustível digital

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Um estudo da Ativaweb DataLab identificou que o caso envolvendo produtos da Ypê e notificações da ANVISA se transformou em um dos maiores fenômenos recentes de mobilização algorítmica e viralização política nas redes sociais brasileiras. Entre os dias 8 e 11 de maio de 2026, a Ativaweb analisou 15.198.001 menções públicas em Facebook, Instagram, X, […]

Um estudo da Ativaweb DataLab identificou que o caso envolvendo produtos da Ypê e notificações da ANVISA se transformou em um dos maiores fenômenos recentes de mobilização algorítmica e viralização política nas redes sociais brasileiras.

Entre os dias 8 e 11 de maio de 2026, a Ativaweb analisou 15.198.001 menções públicas em Facebook, Instagram, X, TikTok e YouTube. O levantamento mostra que o debate deixou rapidamente o campo técnico e sanitário para se tornar uma guerra de narrativa digital impulsionada por memes, polarização política e vídeos virais.

A análise aponta que clusters digitais associados à direita dominaram o fluxo de distribuição orgânica, principalmente no TikTok e Instagram Reels, utilizando humor, ironia e críticas à ANVISA como motores de engajamento.

A própria marca Ypê registrou crescimento explosivo durante a crise.

O perfil oficial da empresa no Instagram saltou de 474.119 para 811.222 seguidores em poucos dias, acumulando mais de 337 mil novos seguidores e crescimento de 68,55%. A taxa de engajamento disparou para 6,77%, enquanto publicações que antes registravam média de cerca de 125 curtidas passaram a ultrapassar 46 mil curtidas por postagem.

Segundo o estudo, a crise acabou funcionando como amplificador algorítmico da marca.

“A internet transformou uma crise sanitária em um dos maiores fenômenos de engajamento espontâneo do período.”
— Alek Maracajá, CEO da Ativaweb DataLab

A análise mostra ainda que conteúdos técnicos e explicações sanitárias tiveram baixo poder de distribuição, enquanto memes, vídeos curtos e conteúdos emocionais dominaram completamente o ambiente digital.

“O algoritmo não escolhe quem está tecnicamente correto. Escolhe quem prende atenção.”
— Alek Maracajá

O estudo identificou milhares de vídeos de consumidores comprando produtos da marca, defendendo a Ypê e criticando a fiscalização da ANVISA. Em muitos casos, o consumo da marca passou a funcionar como símbolo ideológico dentro das redes sociais.

“No Brasil hiperconectado, marcas deixaram de ser apenas produtos. Viraram territórios emocionais e políticos.”
— Alek Maracajá

Para a Ativaweb DataLab, o caso mostra como crises institucionais podem rapidamente se transformar em guerras meméticas de grande escala.

“Quem domina o meme muitas vezes domina a percepção coletiva.”
— Alek Maracajá

A empresa destaca que o estudo foi realizado com base em dados públicos, auditáveis e coletados via APIs e sistemas proprietários de inteligência digital.

A Ativaweb DataLab atua com engenharia de interpretação algorítmica, análise de sentimento e comportamento coletivo em ambientes hiperconectados.

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