Senado Federal

5 destaques do depoimento de Mandetta na CPI da Pandemia

Ex-ministro da Saúde destaca influência dos filhos de Jair Bolsonaro em suas decisões políticas e tece críticas a Paulo Guedes
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O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) escutava e concordava com as contribuições sobre a pandemia de covid-19 do então ministro da Saúde Luiz Henrique Mandetta, mas mudava de posição logo depois. Essa é uma das informações que o ex-ministro revelou na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Pandemia nesta terça-feira (4). Confira os destaques do colegiado:

Bolsonaro ouvia e depois esquecia

“Cada vez que se conversava com o presidente, ele compreendia, a gente falava: ‘Não pode aglomerar, não vamos aglomerar, vamos usar máscara, álcool gel’. Então a gente saía de lá animado porque era um corpo total que falava ‘OK’ e ele compreendia, ele falava que iria ajudar. Só que passava dois ou três dias e ele voltava para aquela situação de aglomerar, de fazer as coisas. Isso foi indo até que chegou uma hora que ficou realmente muito difícil para ele me manter no cargo já que eu deixei claro que não abandonaria o cargo jamais”, afirmou Mandetta.

Mudar a bula da cloroquina

Mandetta afirmou que encontrou uma minuta na mesa de uma reunião de ministros sobre uma mudança da bula da cloroquina, para prever tratamento do medicamento contra a covid-19. O ex-ministro, contudo, não soube dizer de quem partiu a ideia e disse que discutiu o assunto com o general Luiz Eduardo Ramos, atual ministro da Casa Civil.

Problemas com a China

Conversar com a China era um problema para o governo Bolsonaro, apesar dos chineses serem responsáveis pela maior parte dos insumos hospitalares necessários para enfrentar a pandemia, diz o ex-ministro. Mandetta diz que foi impedido de fazer reunião presencial com o embaixador da China no Palácio do Planalto e acabou realizando conversa com o representante diplomático de Pequim por telefone.

Mandetta também afirmou ter “dificuldades” com o Ministério das Relações Exteriores e sua postura diante da China porque o Brasil dependia de um bom relacionamento com Pequim para conseguir insumos. “O outro filho do presidente, o deputado Eduardo [Bolsonaro] tinha rotas de colisão com a China”.

Carlos Bolsonaro

O vereador do Rio de Janeiro Carlos Bolsonaro (Republicanos) participou de reuniões ministeriais tomando notas, diz Mandetta. Havia “assessoramento paralelo”, diz o ex-ministro.

Mandetta também afirma que nenhum ministro sabia com antecedência da fala em cadeia nacional de Bolsonaro classificando a covid-19 como “gripezinha”.

Paulo Guedes

Mandetta também não poupou críticas ao ministro da Economia, Paulo Guedes, a quem classificou de “desonesto intelectualmente” e “um homem pequeno para estar onde está”.

“O distanciamento da equipe econômica era real. Eu dialogava um pouco com o segundo escalão sobre algumas questões, mas entre ministros, telefonemas, recados para conversar com o ministro [Paulo Guedes] não eram respondidos”, afirmou o ex-ministro.

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