Aumento de rejeição a Bolsonaro mostra dificuldade em “fidelizar” eleitores, diz cientista político Modelo de urna eletrônica usada em eleições no Brasil. (Foto: José Cruz/Agência Brasil) Análise política

Aumento de rejeição a Bolsonaro mostra dificuldade em “fidelizar” eleitores, diz cientista político

Cientista político da UERJ destaca que Bolsonaro parece ter perdido votos no Nordeste, mas “núcleo duro” permanece intocado

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  • Pesquisa Datafolha indica que 54 % dos brasileiros consideram a gestão de Bolsonaro na pandemia ruim ou péssima.
  • Na avaliação geral, 44 % classificam o governo como ruim ou péssimo, enquanto 30 % o julgam bom ou ótimo.
  • O professor Paulo Cassimiro (UERJ) afirma que a rejeição de Bolsonaro é a maior de um presidente em primeiro mandato desde Collor, superando FHC, Dilma e Lula.
  • O analista ressalta que os índices de rejeição são particularmente elevados no Nordeste, dificultando a fidelização de eleitores.

O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) atingiu seu recorde de rejeição na avaliação sobre sua gestão da pandemia de covid-19. De acordo com pesquisa do Datafolha, 54% da população acredita que a gestão presidencial da pandemia é ruim ou péssima. Em janeiro, este número era de 48%.

A avaliação geral do desempenho presidencial mostra que 44% dos entrevistados considera o governo Bolsonaro ruim ou péssimo. Outros 30% o avaliam como ótimo ou bom e 24% como regular. Afirmaram que não sabem responder 2% dos entrevistados.

“Em termos de rejeição, Bolsonaro têm a maior rejeição de um presidente em primeiro mandato desde o Collor. Nem Fernando Henrique Cardoso, nem Dilma [Rousseff], nem Lula tiveram uma rejeição em primeiro mandato tão grande quanto Bolsonaro”, afirma em entrevista ao Almoço do MyNews o professor de ciência política da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) Paulo Cassimiro, Bolsonaro.

O analista destaca os números ruins para o Palácio do Planalto no Nordeste. “O índice de aprovação permanece baixo entre as pessoas de mais baixa renda, àquelas que tem até dois salários mínimos. E a rejeição permanece muito alta no Nordeste. O que significa isso? Significa que o Bolsonaro não fidelizou a população que está mais suscetível a precisar de políticas de distribuição de renda. Essa população que foi beneficiada pelo auxilio emergencial, não está fidelizada pelo Bolsonaro, como em determinado momento o Lula conseguiu fidelizar aquele eleitorado que era objeto do Bolsa Família”.

O professor da UERJ também destaca que as parcelas que mais apoiam o presidente não registraram mudanças significativas em sua opinião sobre Bolsonaro. “Os estratos da população em que o apoio do presidente é maior são evangélicos, os moradores do Centro-Oeste e do Norte do país e empresários. Eles aparecem repetidas vezes na entrevista como estrato da população que apoia o presidente desde o início do mandato. Houve pouca variação nisso. Seria um apoio persistente ao Presidente da República.”

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