GOVERNO INVESTIGADO

CPI pode ser “começo do fim” do governo Bolsonaro, avalia cientista político

Com relatoria do senador Renan Calheiros (MDB-AL), instalação da CPI é derrota para governo Bolsonaro, analisa Christian Lynch
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A formação da CPI que vai investigar a conduta do governo federal no enfrentamento da pandemia começou com uma derrota para o presidente Jair Bolsonaro (sem partido): a escolha do senador alagoano Renan Calheiros (MDB) para a relatoria da Comissão.  

Para a presidência e a vice-presidência, foram eleitos, respectivamente, o senador Omar Aziz (PSD-AM), que promete um trabalho “técnico” à frente do grupo, e o senador Randolfe Rodrigues (REDE-AP), líder da Oposição no Senado, autor do pedido de abertura da CPI. 

Na avaliação do cientista político Christian Lynch, professor do IESP-UERJ e editor da revista Insight Inteligencia, a instalação da CPI representa uma derrota para o governo Bolsonaro e “pode significar uma espécie de começo do fim — a depender do que vier a acontecer”. 

Para Lynch, as falas de Renan Calheiros nesta terça-feira (27) já indicam o caminho que o senador alagoano deve seguir na relatoria. “É óbvio que no discurso, ele [Renan Calheiros] diz que vai ser técnico, que não vai perseguir pessoas. Mas, na outra parte do discurso, a gente vê que na verdade ele tem alvo e sabe para onde vai”, diz o professor. “Ele mandou um recado claro para aqueles que o hostilizam”, completa. 

Escolhido relator, Renan Calheiros afirmou que a Comissão poderia estar diante de um crime contra a humanidade e completou que “há responsáveis, há culpados por ação, omissão, desídia ou incompetência”. Segundo o senador, “eles, em se comprovando, serão responsabilizados”. 

Em entrevista ao Dinheiro Na Conta, Lynch avalia ainda que a CPI começa a funcionar em um momento de enfraquecimento do governo Jair Bolsonaro e em um período de ressurgimento de atores importantes da política, como o ex-presidente Lula. 

“A CPI da Covid apresenta essa característica de, ao mesmo tempo, assinalar uma espécie de declínio – momentâneo ou não – do governo, uma oportunidade para a oposição se mostrar e, no caso de Renan Calheiros, uma espécie de retorno triunfal de um personagem da República que usa essa oportunidade para se relançar”, analisa o professor. 

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