CRISE

Dilma diz que Brasil está “à deriva” com Bolsonaro

Em entrevista a jornal britânico, ex-presidente avalia resposta de Jair Bolsonaro à crise de covid-19 como perversa e "genocida"
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O Brasil está “à deriva em meio a um oceano de fome e doenças”, afirmou a ex-presidenta Dilma Rousseff (PT) em entrevista ao jornal britânico The Guardian publicada neste sábado (10). Dilma avalia a resposta do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) à crise de covid-19 como perversa e “genocida”, o que teria sido decisivo para levar o país à catástrofe.

“Não estou dizendo que o Brasil não teria sofrido mortes [com uma resposta diferente à crise] — todos os países sofreram”, explicou ao repórter Tom Phillips. “Estou dizendo que parte do nível de mortes aqui se deve fundamentalmente a decisões políticas incorretas, que ainda estão sendo tomadas”.

O Brasil atingiu ontem a marca de 350 mil mortes por covid-19, totalizando, segundo dados do Conass (Conselho Nacional de Secretários de Saúde), 21.141 óbitos confirmados de domingo (4) a sábado (10). Foi a semana mais fatal da pandemia no Brasil. Em boletim, a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) alertou para o recrudescimento da pandemia sobretudo nas regiões Sul e Centro-Oeste.

A ex-presidenta Dilma Rousseff em defesa diante dos senadores durante sessão de julgamento do impeachment, em 2016. Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil
A ex-presidenta Dilma Rousseff em defesa diante dos senadores durante sessão de julgamento do impeachment, em 2016. Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

“Estamos vivendo uma situação extremamente dramática no Brasil porque não temos governo, nem administração da crise”, afirmou a ex-presidente. “Estamos vendo 4.200 mortes por dia agora e tudo sugere que, se nada mudar, chegaremos a 5 mil… Ainda assim, há uma normalização absolutamente repulsiva dessa realidade em andamento”.

A ex-presidente argumentou ainda que o uso da palavra “genocida” é correto quando a população se refere ao presidente. “Não é a palavra [genocídio] que me interessa — é o conceito. E o conceito é este: responsabilidade por mortes que poderiam ter sido evitadas”.

Impeachment de Dilma

Na entrevista, Dilma atribuiu o impeachment sofrido por ela em 2016 como a origem da tragédia brasileira. “As pessoas terão que ser responsabilizadas pela catástrofe que foi engendrada no Brasil”, apontou. “O Bolsonaro é um produto desse… pecado original: o impeachment”.

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