Delegados do PT levantam seus crachás aprovando o manifesto do partido no seu 8º Congresso, neste domingo | Foto: Evandro Éboli
Partido encerrou seu congresso neste domingo, sem a presença de Lula, e aprovou manifesto com críticas amenas ao Judiciário
O risco de uma derrota de Luiz Inácio Lula da Silva para Flávio Bolsonaro nas eleições de outubro rondou com força o 8º Congresso Nacional do PT, que aconteceu nestes últimos três dias e se encerrou neste domingo, sem a presença do presidente da República, se recuperando de uma cirurgia procedimento médico em São Paulo.
Fernando Haddad disse: “não temos o direito de perder essa eleição”. O ex-ministro da Fazenda e candidato a governador em São Paulo listou conquistas do governo, como redução do desemprego, entre outros, e afirmou que do outro lado está o “Bolsonarinho”, se referindo Flávio ao senador presidenciável do PL e filho de Jair Bolsonaro.
Com uma conhecida dificuldade em lidar com redes sociais, o presidente do PT, Edinho Silva, afirmou que não se pode também ficar o tempo inteiro na internet e descuidar de governar. Ele disse que é necessário conversar com as pessoas e mostrar as conquistas do governo, assim entendidas por ele, para cada um.
“Não é possível que as pessoas não estejam vendo. Temos que conversar com cada um”, disse Edinho.
Aniversariante, a deputada federal Benedita da Silva (RJ), que completa 84 anos, também discursou no final do congresso e falou da necessidade de o partido “bater de porta em porta” das pessoas para impedir a volta da “extrema-direita” ao Palácio do Planalto.
No documento final, “Construindo o futuro: Manifesto do PT para seguir transformando o país”, o PT afirma que as eleições de 2026 serão disputadas em um cenário de “avanço da extrema-direita e do fascismo nos principais países da Europa e das Américas”.E, se perguntam os petistas, com o risco de derrota no que entendem ter sigo a melhor das três gestões de Lula até agora.
“serão disputadas durante a gestão do governo com mais entregas da história. Desde de 2023, o governo Lula trabalha na reconstrução de um país que havia sido destruído pela extrema-direita”, diz o manifesto.
A disputa pelo futuro está aberta, afirma o PT também no texto. E cita um de seus problemas, que é resolver a questão do mundo novo do mercado de trabalho, com a “plataformização”.
“A plataformização reorganiza a produção, fragmenta a classe trabalhadora e redefine as formas de exploração. O trabalho se torna mais instável, desprotegido e subordinado a lógicas algorítmicas. Ao mesmo tempo, surgem novas formas de resistência e organização”, reconhece o partido de Lula.
No quesito sobre o Judiciário, o PT pegou leve. Edinho Silva afirmou que o partido não irá inviabilizar o Judiciário como pretende os bolsonaristas. O manifesto fez uma citação curta sobre o tema:
“Reforma do Poder Judiciário, visando à democratização, mecanismos de autocorreção e fortalecimento do Estado de Direito”.