“A responsabilidade da doença é do vírus”, diz Mayra Pinheiro na CPI da Pandemia A secretária de Gestão do Trabalho e da Educação na Saúde do Ministério da Saúde, Mayra Pinheiro, na CPI da Pandemia. Foto: Jefferson Rudy/Agência Senado. “Capitã Cloroquina”

“A responsabilidade da doença é do vírus”, diz Mayra Pinheiro na CPI da Pandemia

Secretária do Ministério da Saúde diz que aplicativo que recomendava cloroquina “poderia ter salvo muitas vidas”

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  • Mayra Pinheiro, secretária de Gestão do Trabalho e Educação na Saúde, afirmou na CPI da Pandemia que a falta de oxigênio em Manaus não é responsabilidade do Ministério, mas do vírus.
  • Ela disse ter tomado conhecimento do risco de desabastecimento por e‑mail da White Martins em 8 jan 2021, enquanto o ex‑ministro Eduardo Pazuello alegou ter visto o mesmo e‑mail apenas em 10 jan.
  • Pinheiro criticou as autoridades de saúde do Amazonas, descrevendo caos e desorganização nas Unidades Básicas de Saúde durante sua visita a Manaus na primeira semana de janeiro de 2021.
  • Apesar de gravações que a vinculam à defesa da imunidade de rebanho, declarou que o Ministério não adotou tal tese e que continua defendendo o uso de cloroquina no tratamento da Covid‑19.

Defensora da cloroquina, a secretária do Ministério da Saúde Mayra Pinheiro afirmou nesta terça-feira (25) na CPI da Pandemia que não era responsabilidade do Ministério da Saúde garantir o fornecimento de oxigênio em Manaus, negou apoiar a imunidade de rebanho e defendeu o aplicativo TrateCov, que recomendava cloroquina.

Pinheiro afirmou que “não houve uma percepção de que faltaria [oxigênio]” durante uma visita que fez a Manaus na primeira semana de janeiro de 2021. Ela disse que ficou sabendo de um possível desabastecimento por meio um email da empresa White Martins no dia 8 de janeiro. O ex-ministro da Saúde e general Eduardo Pazuello, todavia, afirmou na CPI que só ficou sabendo do email no dia 10 de janeiro.

A secretária do Ministério da Saúde criticou as autoridades de Saúde do Governo do Estado do Amazonas e disse ter visto um cenário de “caos” e desorganização nas Unidades Básicas de Saúde do estado.

Perguntada pelo relator da CPI, Renan Calheiros (MDB-AL), se enxergava responsabilidade do Ministério da Saúde na falta de oxigênio em Manaus, Pinheiro afirmou: “Nenhuma responsabilidade, a responsabilidade da doença é do vírus, não é o Ministério da Saúde”.

Pinheiro disse que o aplicativo TrateCov, que recomendava cloroquina, “poderia ter salvo muitas vidas” e que a ferramenta foi apresentada a Pazuello no dia 11 de janeiro.

Apesar de existirem gravações em que Pinheiro, conhecida como “Capitã Cloroquina”, defende a imunidade de rebanho, ela afirmou na CPI que “nenhuma defesa foi feita a respeito dessa tese” no Ministério da Saúde.

Pinheiro afirmou que segue defendendo o uso de cloroquina para tratar a covid-19.

A secretária de Gestão do Trabalho e da Educação na Saúde do Ministério da Saúde, Mayra Pinheiro, na CPI da Pandemia. Foto: Jefferson Rudy/Agência Senado.
A secretária de Gestão do Trabalho e da Educação na Saúde do Ministério da Saúde, Mayra Pinheiro, na CPI da Pandemia. Foto: Jefferson Rudy/Agência Senado.

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