O senador Flávio Bolsonaro pode ter se precipitado ao afirmar que o governo de Luiz Inácio Lula da Silva estava politicamente “acabado”. Há poucos dias, o Planalto enfrentava um dos momentos mais delicados do mandato. O governo acumulou derrotas importantes no Congresso, como a rejeição do nome de Jorge Messias ao STF e a derrubada do veto presidencial sobre o projeto da dosimetria. O clima em Brasília era de desgaste e pressão sobre Lula.
Mas a política mudou rápido. O encontro entre Lula e Donald Trump acabou trazendo um resultado positivo para o governo brasileiro. Antes da reunião, aliados temiam constrangimentos ou ataques públicos do presidente americano. Isso não aconteceu. Trump elogiou Lula e sinalizou disposição para discutir tarifas e relações comerciais entre os dois países. A avaliação de aliados é que o encontro deu novo fôlego político ao presidente brasileiro.
Ao mesmo tempo, a operação Compliance Zero mudou parte do foco político em Brasília. O senador Ciro Nogueira, aliado da oposição e nome forte do Centrão, passou a enfrentar desgaste após o avanço das investigações do caso Banco Master. A Polícia Federal aponta suspeitas de pagamentos, viagens e benefícios ligados ao empresário Daniel Vorcaro. A defesa de Ciro nega irregularidades.
Enquanto isso, o governo também conseguiu avançar em pautas estratégicas no Congresso, como o projeto dos minerais críticos e o novo Desenrola Brasil. Para o cientista político André César, ouvido no Café MyNews, ainda é cedo para decretar vitória ou derrota de qualquer lado. A avaliação é que Lula mostrou capacidade de reação justamente quando parte da oposição já comemorava um enfraquecimento definitivo do governo.