PEC 6×1: Lula assegura na Câmara, mas no Senado depende de seu algoz Foto: Valter Campanato/Agência Brasil

PEC 6×1: Lula assegura na Câmara, mas no Senado depende de seu algoz

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Proposta avança com apoio de Hugo Motta, mas futuro da redução da jornada passa por Davi Alcolumbre, hoje peça-chave para o governo no Senado

A PEC que acaba com a escala 6×1 entrou em uma nova fase no Congresso. Depois de um acordo costurado pelo governo Lula com o presidente da Câmara, Hugo Motta, a proposta deve avançar sem grandes sustos entre os deputados. Além disso, o texto virou uma das principais apostas do Planalto para dialogar com trabalhadores em ano eleitoral.

Pelo acordo, a jornada cairia de 44 para 42 horas semanais 60 dias após a promulgação da emenda. Depois, um ano mais tarde, passaria para 40 horas semanais. A proposta também prevê o fim da escala 6×1 e dá preferência ao domingo como dia de descanso.

Embora o governo tenha comemorado o entendimento, empresários reagiram mal ao modelo. Eles defendiam uma transição mais longa e alertam para impactos econômicos. Ainda assim, o Planalto aceitou o texto como o acordo possível neste momento.

Câmara deve aprovar sem grandes dificuldades

Na Câmara, o ambiente é considerado favorável ao governo. Hugo Motta se envolveu diretamente nas negociações e aparece alinhado ao Planalto nessa pauta. Por se tratar de uma PEC, porém, o texto precisa de 308 votos e ainda terá de passar por dois turnos de votação.

Mesmo assim, a expectativa entre aliados é positiva. A avaliação é que a proposta deve avançar rapidamente após a análise na comissão especial. Além disso, o governo aposta no forte apelo popular da medida para reduzir resistências entre parlamentares.

Senado vira principal preocupação do governo

Se na Câmara o cenário parece controlado, no Senado a situação muda completamente. Isso porque o futuro da PEC passa diretamente pelas mãos de Davi Alcolumbre, presidente da Casa e hoje uma das figuras mais imprevisíveis para o governo.

Até agora, Alcolumbre evitou se posicionar de forma clara sobre o tema. Com isso, cresce no Planalto o temor de que ele desacelere a tramitação, negocie mudanças ou simplesmente deixe a proposta parada no Senado.

O problema para Lula é que a PEC virou uma vitrine política importante. O governo acredita que a medida pode ajudar na recuperação da popularidade do presidente, especialmente entre trabalhadores mais afetados pela escala 6×1.

Lula depende justamente de quem mais teme

Integrantes do governo reconhecem que a relação com Alcolumbre exige cautela. O presidente do Senado ganhou força nos últimos meses e hoje controla boa parte das negociações mais importantes do Congresso.

Por isso, Lula conseguiu assegurar o primeiro passo com Hugo Motta, mas agora depende justamente de Alcolumbre para transformar a proposta em realidade. A PEC 6×1 depende também do cálculo político, do ritmo imposto pelo Senado e da disposição do presidente da Casa em bancar ou travar a pauta.

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