Foto: Pedro França (Agência Senado)
Crise envolvendo Daniel Vorcaro não derrubou Flávio Bolsonaro entre seus eleitores, mas aumentou a insegurança de aliados sobre o futuro da candidatura
A crise envolvendo Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro abriu uma dúvida central na direita: manter a aposta no senador ou buscar outro nome para enfrentar Lula em 2026? Apesar do desgaste, a troca não parece simples. Segundo pesquisa Datafolha, 88% dos eleitores de Flávio defendem que ele continue na disputa, mesmo após a divulgação das conversas com o ex-banqueiro.
No Café MyNews, Evandro Éboli avaliou que Flávio segue como candidato “até segunda ordem”. Para ele, a pesquisa mostrou que o senador não derreteu como parte dos aliados temia. Ainda assim, o caso Vorcaro deixou marcas. Além dos áudios, pesou a revelação de um encontro entre Flávio e o ex-banqueiro quando ele já usava tornozeleira eletrônica, o que aumentou a desconfiança dentro do próprio campo bolsonarista.
O principal problema da direita é que nenhum outro nome conseguiu crescer com força. Michelle Bolsonaro aparece como possibilidade, mas ainda sem desempenho suficiente para substituir Flávio com segurança. Caiado e Zema, por sua vez, seguem em patamar baixo nas pesquisas e não herdaram automaticamente os votos perdidos pelo senador.
Além disso, Jair Bolsonaro não dá sinais de que pretende retirar o apoio ao filho. Na avaliação feita no programa, a candidatura só mudaria se o ex-presidente decidisse abandonar Flávio, cenário considerado pouco provável neste momento.
Embora o eleitor bolsonarista siga fiel, o incômodo maior está entre aliados políticos. Parlamentares que dependem de uma candidatura presidencial forte para disputar o Senado ou ampliar palanques estaduais começam a recalcular os planos para 2026.
O temor é que novas revelações sobre a relação com Vorcaro apareçam até a eleição. Isso aumentou o desconforto principalmente entre políticos do PL e de partidos aliados, que já avaliam disputar cargos proporcionais para reduzir o impacto de uma eventual crise maior na campanha presidencial.
Outro ponto levantado durante o programa foi o esvaziamento do debate de propostas. A avaliação feita pelos comentaristas é que a eleição começou cedo e deve se concentrar mais em ataques e escândalos do que em projetos para o país.
Segundo Evandro Éboli, o antipetismo continua sendo um dos principais motores da direita, enquanto Lula ainda enfrenta alta rejeição. Isso ajuda a explicar por que Flávio continua competitivo mesmo em meio à crise.
A Reuters destacou que Lula abriu vantagem sobre Flávio em cenário de segundo turno após o avanço das notícias sobre a ligação do senador com Vorcaro.