Tarso Genro: ‘STF vive momento de transparência, apesar de crise’ Tarso Genro. Foto: Ederson Nunes/CMPA

Tarso Genro: ‘STF vive momento de transparência, apesar de crise’

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Ex-governador do Rio Grande do Sul defende atuação do tribunal contra ataques antidemocráticos e sugere explicações públicas de magistrados

Em entrevista ao Café do MyNews, o ex-ministro da Justiça e ex-governador do Rio Grande do Sul Tarso Genro reavaliou as recentes controvérsias no Supremo Tribunal Federal (STF). Para ele, a Corte não enfrenta sua pior crise histórica, mas um momento de forte transparência institucional. Além disso, a centralidade do STF no combate aos atos antidemocráticos reforçou seu papel de guardião da Constituição. Contudo, a sobreexposição das sessões acelerou a judicialização da política e alimentou disputas de prestígio no colegiado.

Cobrança de transparência e divisões na Corte

Ao comentar as investigações envolvendo o ministro Alexandre de Moraes, Genro sugeriu uma postura mais ativa. Segundo ele, o magistrado deveria prestar esclarecimentos públicos e detalhados à imprensa, a fim de evitar o fortalecimento de narrativas extremistas. Do mesmo modo, Genro apontou divisões ideológicas dentro do próprio tribunal. Ele criticou a atuação do ministro André Mendonça; em contrapartida, elogiou a condução do ministro Luiz Edson Fachin na busca por equilíbrio.

A modernização da Polícia Federal e o método de apuração

Questionado sobre a Polícia Federal, Tarso Genro relembrou a reestruturação do órgão no governo Lula. As reformas começaram na gestão de Márcio Tomás Bastos e continuaram em seu mandato. O fortalecimento ocorreu com investimento em tecnologia, novos concursos e cooperação com a Interpol. Além disso, a PF abandonou os antigos inquéritos genéricos. O órgão passou a focar estritamente no delito praticado, mudança que garantiu maior precisão técnica e agilidade às grandes investigações.

Risco de retrocesso e panorama geopolítico global

Por fim, o ex-governador alertou para os riscos do avanço da extrema-direita global. Genro usou a Revolução Francesa como metáfora sobre como radicalismos devoram seus próprios criadores, e denunciou a naturalização de interferências externas na política nacional. Apesar desses desafios, o ex-ministro mantém uma visão otimista para o futuro; caso o STF mantenha o rigor constitucional e investigue seus membros com isenção, o Brasil caminhará para um período de maior estabilidade democrática.

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