Mercado de luxo em SP desacelera, mas preços sobem Foto: Escritório de Arquitetura Brasil papo de imóvel

Mercado de luxo em SP desacelera, mas preços sobem

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Apesar da queda nas vendas e lançamentos de imóveis de alto padrão, valorização chega a 21% e clientes demoram mais para comprar

Após anos de expansão acelerada, o mercado imobiliário de alto padrão na capital paulista iniciou 2026 em ritmo de forte cautela. Segundo a consultoria Brain Inteligência Estratégica, as vendas recuaram 39% no primeiro trimestre. Além disso, o recuo atingiu 53% no segundo trimestre, e os lançamentos encolheram 60,8% no mesmo período. Essa desaceleração reflete a ampla oferta acumulada nos últimos cinco anos, período em que o setor dobrou os lançamentos na cidade.

Ajuste nos preços e seletividade em bairros nobres

Mesmo diante do menor volume de transações, os preços dos imóveis continuaram subindo na capital paulista. Nos imóveis entre R$ 2 milhões e R$ 5 milhões, o preço médio por metro quadrado saltou para R$ 21.300. Esse movimento representa uma valorização de aproximadamente 21%. Enquanto isso, no segmento acima de R$ 5 milhões, o valor médio alcançou R$ 40.600 por metro quadrado.

Juros altos e maior tempo de negociação

Por outro lado, a manutenção dos juros elevados faz os compradores de alta renda reavaliarem suas escolhas. Como o capital rende bem em aplicações financeiras, muitos investidores preferem manter o dinheiro aplicado, assim, a decisão de imobilizar quantias no setor imobiliário passou a demorar mais. Por exemplo, na incorporadora Even, o intervalo entre a primeira visita e a assinatura do contrato subiu para 90 dias. Assim, a jornada de compra tornou-se mais longa e analítica.

Acomodação de mercado longe do cenário de crise

Apesar desse esfriamento, especialistas descartam qualquer cenário de crise estrutural no segmento. De fato, a Brain estima que o estoque atual corresponda a 18 meses de vendas. Trata-se de um patamar considerado bastante administrável pelas empresas. Paralelamente, as incorporadoras já reajustaram sua estratégia com a redução na compra de terrenos. Em suma, o mercado paulistano vivencia uma mudança comportamental; os imóveis seguem valorizados, mas o comprador prioriza diferenciais como localização, arquitetura e segurança.

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