Foto: Nelson Jr./Ascom/TSE
Ian Lopes afirma que pesquisas recentes influenciaram bolsa, câmbio e juros, mas alerta que próximo presidente terá de enfrentar a dívida pública
O mercado financeiro passou a reagir de forma mais favorável à possibilidade de Flávio Bolsonaro (PL) disputar a Presidência contra Luiz Inácio Lula da Silva (PT), segundo o economista Ian Lopes, da Valor e Investimentos. Ele citou pesquisas eleitorais recentes que apontam um cenário mais competitivo entre os dois nomes. Para Lopes, a movimentação já aparece nos preços de ativos como ações, dólar e juros futuros.
Nos últimos dias, a Bolsa subiu, enquanto o dólar recuou e os juros futuros também caíram. Na avaliação do economista, parte desse movimento reflete a percepção de investidores sobre uma possível política fiscal mais rígida em um eventual governo Flávio. Lopes também afirmou que a crise envolvendo o Supremo Tribunal Federal (STF) pode favorecer o eleitorado ligado ao senador e influenciar o ambiente político. Ele ressaltou, porém, que a eleição ainda está aberta e que novos acontecimentos podem mudar o cenário.
A queda dos juros também beneficia investidores que compraram títulos prefixados quando as taxas estavam mais altas. Lopes explicou que esse movimento ocorre por meio da chamada marcação a mercado. Se um investidor trava uma taxa elevada e os juros caem posteriormente, o título pode se valorizar no mercado secundário. Assim, além do rendimento contratado até o vencimento, o investidor pode obter ganho com a valorização do papel antes do prazo final.
Apesar da reação positiva de parte do mercado a Flávio, o economista destacou que o próximo presidente terá de enfrentar o problema fiscal brasileiro, independentemente de quem vencer a eleição. Lopes afirmou que uma eventual deterioração das contas públicas pode pressionar a inflação, os juros e o câmbio. Para ele, sem uma solução para o crescimento da dívida, o país pode voltar a conviver com taxas de juros mais elevadas e menor entrada de investimentos. “Essa bomba fiscal tem que ser resolvida”, afirmou.