José Cruz/Agência Brasil/Arquivo
Alta da arrecadação foi impulsionada pelo aumento de tributos e pela valorização do petróleo; apesar da receita maior, despesas e dívida pública seguem em alta
O governo federal estima que a receita total alcance R$ 3,24 trilhões em 2026, o equivalente a 23,7% do Produto Interno Bruto (PIB), segundo o G1. Se confirmado, o resultado será o maior da série histórica do Tesouro Nacional, iniciada em 1997, superando o recorde de 23,6% registrado em 2010. Para 2027, a previsão é de R$ 3,46 trilhões, correspondentes a 23,4% do PIB, conforme a proposta de Orçamento enviada ao Congresso Nacional.
O crescimento da arrecadação ocorre em meio a uma série de medidas de aumento ou recomposição de impostos adotadas pelo governo, além da alta das receitas provenientes da exploração de petróleo. A estimativa é que esse setor gere R$ 172,1 bilhões em 2026, contra R$ 139,3 bilhões em 2025. Entre as mudanças tributárias estão alterações na cobrança sobre fundos exclusivos, empresas offshore, combustíveis, bets, fintechs, juros sobre capital próprio e produtos importados. O governo afirma que as medidas buscam corrigir distorções, reduzir benefícios fiscais considerados ineficazes e aumentar a progressividade do sistema tributário.
Apesar do avanço das receitas, especialistas alertam que as despesas públicas continuam crescendo em ritmo superior à arrecadação, mantendo a pressão sobre as contas do governo e a dívida. A dívida do setor público consolidado chegou a 82,5% do PIB em agosto, maior nível desde abril de 2021. Para economistas, o cenário pode contribuir para a manutenção de juros elevados, já que o aumento dos gastos e dos déficits pressiona a demanda, a inflação e o custo de financiamento do governo.