COMBATE À FOME

Gilson Rodrigues: Na luta para diminuir os impactos da pandemia nas comunidades, G10 Favelas cria suas próprias soluções

Em Paraisópolis, produzimos e distribuímos mais de 300 mil máscaras e 80 mil kits de higiene e criamos 520 leitos
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No mês em que completamos um ano do início da pandemia no Brasil, é importante entendermos quais foram seus reais impactos nas nossas favelas, que sofrem com a pouca infraestrutura e auxílio governamental. Foram estes os motivos que nos levaram a lançar um conjunto de ações para mitigar os efeitos da pandemia.

Em um primeiro momento, fizemos a implantação, em Paraisópolis, segunda maior favela de São Paulo, e estamos expandindo para diversas comunidades de todo o Brasil.

Marmita do projeto G10 Favelas, em Paraisópolis. Foto: G10 das Favelas.

Os números dos resultados das ações falam por si. Em Paraisópolis, produzimos e distribuímos mais de 300 mil máscaras e 80 mil kits de higiene. Criamos 520 leitos para isolamento de moradores com sintomas de COVID-19 em três Casas de Acolhimento montadas dentro de escolas da comunidade, que posteriormente foram reformadas para voltar a receber alunos. Contratamos uma ambulância que atendeu 10.900 pessoas, uma vez que a chamada emergencial também é uma questão que requer atenção. A nível Brasil, distribuímos mais de 1,5 milhão de marmitas e 33 mil cartões de cesta básica.

Entre as iniciativas, podemos destacar:

Favela Brasil Express: Conceito de entregas dentro das favelas que usa a expertise e conhecimento da região como potência de execução do serviço.

Horta Comunitária Agrofavela: Vem para nos auxiliar no combate à fome e também entra com uma vertente de empreendedorismo. Além de contribuir na qualidade nutricional da população, a ação incentiva que outros moradores consumam da produção local.

G10 Bank Participações: Criado com o objetivo de ser o primeiro banco de favelas. Tem como intuito fornecer linha de crédito e serviços para a população empreendedora, caracterizada como de baixa renda, e orientação de gestão de negócios para novos clientes. Atrelado ao banco também é possível mencionar a “Escola de Líderes Transformadores”, com objetivo de formar novas lideranças nas comunidades.

Os projetos Mãos de Maria, Costurando Sonhos Brasil e Emprega Comunidade são ações que já existiam antes da pandemia, mas tivemos que reforçar a atuação após a crise causada pela Covid-19.

O Mãos de Maria promove empoderamento feminino e geração de renda para mulheres em situação de vulnerabilidade, através do empreendedorismo. Com o programa viabilizamos doações de kits de cozinha compostos por geladeiras, fogões, panelas, gás e alimento, assim elas passam a fazer renda por meio da alimentação.

A Costurando Sonhos Brasil foi imprescindível na produção e distribuição de máscaras para essa população. O projeto foi criado com objetivo de capacitar em corte e costura mulheres em situação de vulnerabilidade social.

Por fim, o Emprega Comunidades, em época de alta do desemprego no país, teve expansão para outros estados. A iniciativa visa capacitar trabalhadores das comunidades para o mercado de trabalho.

Ainda em Paraisópolis, mais de 1.000 diaristas foram apadrinhadas na campanha Adote uma Diarista para receber R$150,00 e uma cesta básica. Ao menos 3.170 pessoas foram empregadas ou direcionadas para oportunidades temporárias.

Para finalizar, criamos os Presidentes de Rua, em que 658 pessoas atuam como voluntários no monitoramento da população, cada um deles cuidando diretamente de 50 famílias.

Ao todo conseguimos impactar 100 mil pessoas com as ações do bloco somente em Paraisópolis, que busca aplicar essas ações em mais comunidades que possam ser beneficiadas.


Quem é Gilson Rodrigues?

Gilson Rodrigues é presidente do G10 Favelas, empreendedor social, consultor e líder comunitário. É responsável por liderar os esforços de enfrentamento à pandemia em Paraisópolis, São Paulo.

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