Barcos de ataque. Foto: BBC
Com pequenas embarcações rápidas e táticas de guerrilha marítima, o Irã pressiona o comércio internacional e aumenta briga com os Estados Unidos
O Irã voltou ao centro das atenções no conflito com os Estados Unidos ao usar uma estratégia naval considerada assimétrica no Estreito de Ormuz, uma das rotas marítimas mais importantes do mundo. A chamada “marinha mosquito” iraniana reúne centenas de pequenas embarcações rápidas, usadas para intimidar navios comerciais e militares na região.
Segundo especialistas, a frota foi criada nos anos 1980 durante a Guerra Irã-Iraque e passou a integrar a doutrina militar do Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica. Em vez de enfrentar diretamente a Marinha americana, o grupo aposta em táticas de guerrilha marítima, com ataques rápidos, minas navais, drones e enxames de barcos armados com metralhadoras, foguetes e mísseis. A BBC destacou que muitos desses barcos são baratos, difíceis de detectar por radar e fáceis de substituir.
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Além disso, o impacto já aparece no comércio internacional. Dados monitorados pela Marinha Real do Reino Unido mostram que o fluxo de embarcações no Estreito de Ormuz caiu drasticamente desde o início da guerra. A Organização Marítima Internacional estima que cerca de 1,5 mil navios e 20 mil tripulantes seguem afetados pelas tensões na região. O cenário também elevou os preços do petróleo e aumentou preocupações sobre inflação global e abastecimento energético.
Analistas afirmam que o objetivo do Irã não é vencer uma guerra naval convencional, mas elevar os custos econômicos e militares para os adversários. Mesmo sem destruir grandes embarcações, a simples ameaça de ataques já aumenta o valor dos seguros marítimos e faz empresas evitarem a rota. Para especialistas, a estratégia iraniana mostra como pequenos barcos podem gerar impacto global em meio à escalada da crise no Oriente Médio.