Bandeira dos EUA (Foto: Unsplash)
Governo americano isenta produtos estratégicos, ameaça rever decisão em caso de retaliação e mantém críticas ao Pix, plataformas digitais e política ambiental brasileira
O governo dos Estados Unidos confirmou que café, carnes e suco de laranja ficarão fora da lista de produtos brasileiros atingidos pela tarifa de 25%. Um alto funcionário da administração americana confirmou a informação. Além disso, ele afirmou que Washington poderá rever a decisão caso o Brasil adote medidas de retaliação.
Mesmo com as exceções, o tarifaço atingirá cerca de 3 mil produtos brasileiros exportados aos Estados Unidos. Segundo a Amcham Brasil (Câmara Americana de Comércio), a medida pode afetar mais de US$ 11 bilhões em exportações da indústria e do agronegócio. As novas tarifas entram em vigor em 22 de julho.
Durante o debate, os comentaristas afirmaram que o governo americano continua apontando o Pix, a regulação das plataformas digitais, o etanol e questões ambientais como justificativas para endurecer a política comercial contra o Brasil.
Além disso, eles argumentaram que o Pix reduziu a dependência das bandeiras internacionais de cartão e passou a competir diretamente com empresas americanas do setor financeiro. Também classificaram como frágeis as críticas relacionadas ao desmatamento. Segundo eles, o governo brasileiro reduziu os índices ambientais nos últimos anos.
Ao mesmo tempo, o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, criticou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Na avaliação dele, o governo brasileiro priorizou interesses políticos durante as negociações comerciais.
Em resposta, a Secretaria de Comunicação Social (Secom) divulgou uma nota oficial. O governo classificou a decisão americana como um “marco lastimável” nas relações entre os dois países.
Além disso, a nota afirma que os Estados Unidos acumularam superávit de US$ 424,5 bilhões no comércio de bens e serviços com o Brasil nos últimos 15 anos. Os dados são do próprio governo americano.
O governo também rebateu as críticas ao Pix e à regulação das plataformas digitais. Segundo a Secom, o sistema brasileiro se tornou referência internacional em infraestrutura pública de pagamentos. Além disso, o texto afirma que o Brasil não abrirá mão da soberania digital nem das regras aplicadas às grandes empresas de tecnologia.
Por fim, a Amcham alertou que o tarifaço deixará o Brasil entre os países com maior dificuldade para acessar o mercado americano. A entidade avalia que a medida afetará diversos setores da economia, principalmente a indústria e o agronegócio. Ainda assim, café, carnes e suco de laranja ficaram de fora da primeira rodada de tarifas.