Senado decide que impeachment de Trump é constitucional Donald Trump, que insiste na narrativa infundada de que as eleições nos EUA foram fraudadas. Foto: Joyce N. Boghosian ESTADOS UNIDOS

Senado decide que impeachment de Trump é constitucional

Acusado de traição sem precedentes históricos, Trump pode perder direitos políticos. Democratas precisam do voto de 17 republicanos

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  • No primeiro dia de julgamento, o Senado dos EUA aprovou por 56 a 44 a constitucionalidade do impeachment de Donald Trump, permitindo que seja julgado após o fim do mandato.
  • A maioria contou com os 50 senadores democratas e seis republicanos; a aprovação definitiva exige 67 votos, ou dois terços do plenário.
  • Promotores democratas acusam Trump de traição ao incitar a invasão ao Capitólio em 6 de janeiro, alegando risco à vida dos congressistas.
  • A defesa de Trump invoca a Primeira Emenda, considera o processo inconstitucional e anuncia que o ex‑presidente não testemunhará.

O Senado dos Estados Unidos deu início nesta terça-feira (9) ao julgamento do segundo processo de impeachment contra o ex-presidente Donald Trump. Apesar de seu mandato já ter sido concluído, o republicano pode ter os direitos políticos cassados caso seja condenado – o que impossibilitaria uma futura candidatura.

No primeiro dia de julgamento, os senadores analisaram a constitucionalidade do processo, ou seja, se Trump poderia ser julgado mesmo após o fim do mandato. Esse foi o entendimento da maioria: o placar foi de 56 votos a favor e 44 contra. Os 50 senadores democratas tiveram o apoio de seis parlamentares republicanos.

A aprovação do impeachment, no entanto, precisa do apoio de dois terços do plenário, o equivalente a 67 senadores. Para ser aprovado, os democratas precisam que 17 senadores republicanos votem contra Donald Trump.

Os procuradores democratas acusam o ex-presidente de cometer uma traição de proporções históricas, de colocar em risco a vida de todos os membros do Congresso.

Capitólio, sede do Congresso dos EUA, durante a invasão
Capitólio, sede do Congresso dos EUA, durante a invasão por apoiadores de Donald Trump, em 6 de janeiro.
(Foto: Redes sociais)

Os advogados de Trump usam como defesa a primeira emenda da constituição americana, que trata sobre a liberdade de expressão. A defesa de Trump anunciou que o ex-presidente não vai testemunhar no julgamento por considerar o processo inconstitucional.

Em 2020, Trump já havia enfrentado um processo de impeachment, quando a Câmara o condenou por obstrução ao Congresso e abuso de poder. Na ocasião, o então presidente acabou inocentado pelo Senado, que tinha maioria republicana.