Foto: Renan Santos/ divulgação
Eleições
Dois candidatos sem estrutura, sem mídia e quase sem dinheiro estão captando o que a campanha tradicional ainda não viu: o eleitor brasileiro está exausto
No início da corrida eleitoral, Renan Santos começou com menos de 1% nas pesquisas. Hoje, no entanto, já está em 6%, ultrapassando políticos com décadas de carreira, bancada e dinheiro. Da mesma forma, Samara Martins não tem espaço na mídia, praticamente nenhum dinheiro, faz campanha no corpo a corpo, nas ruas, e ainda assim chegou a 3%. Esses são números com os quais a grande imprensa ainda não sabe bem o que fazer, mas que dizem muito sobre o que está acontecendo com o eleitor brasileiro.
A verdade é que esse eleitor está mal. Muito mal. Endividado, exausto, adoecido. O país mal saiu da epidemia da COVID, aquela que nos roubou literalmente o ar, e já está dentro de outra, as bets. As apostas online viraram uma verdadeira epidemia nacional, visto que roubam o oxigênio da saúde financeira e mental de milhões de brasileiros. Tiram vidas, deixam famílias enlutadas.
Os problemas brasileiros crescem em progressão geométrica, enquanto a classe política, em todas as esferas, continua esticando a corda, seja com impostos, com escândalos, ou com a distância cada vez maior entre o que se promete e o que se entrega.
Naturalmente, essa corda tem limite, e o povo sabe disso antes mesmo da política perceber. O eleitor, independentemente de ideologia, quer mudança. Se essa mudança virá pela esquerda ou pela direita, só as urnas dirão. A pressão por algo diferente já está nas ruas e, consequentemente, está chegando nas pesquisas. Mas, políticos e analistas acham que 3% e 6% não merecem atenção. Para Samara, sem nenhuma estrutura, esses 3% são ouro puro, como disse na entrevista abaixo, e alimenta sua campanha na raça.
Diante desse cenário, é aí que os números de Renan e Samara ganham outro significado. Não se trata apenas do desempenho de dois candidatos jovens e sem recursos, mas sim do termômetro de um eleitorado que está ativamente procurando respostas, e reagindo quando as encontra.
O MyNews foi o primeiro veículo a dar exposição a Renan Santos, numa longa entrevista, quando ele ainda não aparecia em pesquisa nenhuma. Hoje já é requisitado por muitos canais. Fizemos o mesmo com Samara Martins, que a mídia segue ignorando mesmo depois de chegar aos 3% sem um centavo de estrutura. Esses dois candidatos, apesar de terem visões de mundo radicalmente diferentes, ele no Partido Missão, ela no Unidade Popular, têm em comum algo raro nesta campanha: falam do Brasil real. Com diagnóstico, com proposta e, acima de tudo, sem medo de dizer o que pensam.
Enquanto isso, a campanha de políticos tradicionais que está se desenhando para 2026 segue mais adjetivada do que fundamentada. Corajoso. Patriota. Revolucionário. Salvador. À medida que os adjetivos se multiplicam, os diagnósticos somem. Como resultado, os problemas reais, o endividamento, as bets, o colapso da saúde mental, a exaustão de um povo que trabalha cada vez mais e chega cada vez menos ao fim do mês, ficam órfãos de solução.
Portanto, a surpresa desta eleição pode estar exatamente aí. Não no dinheirão das máquinas tradicionais, não nos palanques lotados, tampouco nos clipes bem produzidos. Pode estar no eleitor que, silenciosamente, está indo atrás de quem fala com fundamento. Renan e Samara já captaram esse sinal. Em suma, a pergunta que fica é quanto tempo os grandes candidatos vão demorar para perceber que adjetivo não paga conta, e que o eleitor começa a cobrar a fatura.