Entenda por que sua memória está piorando (e o que a Covid tem a ver com isso)
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Esquecimentos mais frequentes podem fazer parte do envelhecimento, mas especialistas alertam que a Covid-19 também deixou impactos cognitivos duradouros
Esquecer nomes, compromissos ou onde deixou as chaves pode parecer apenas um sinal do envelhecimento. No entanto, especialistas alertam que outro fator passou a influenciar esse quadro nos últimos anos: a Covid-19. Além do avanço natural da idade, o vírus pode deixar efeitos duradouros no cérebro, contribuindo para a chamada “névoa mental”, que afeta concentração, memória e raciocínio.
Segundo o médico Luiz Fernando Correia, o envelhecimento realmente provoca uma perda gradual da capacidade de armazenar e recuperar informações. Porém, a pandemia trouxe um impacto adicional. Ele explica que o coronavírus tem afinidade pelo sistema nervoso central e que muitas pessoas relataram dificuldades cognitivas após a infecção. O próprio médico contou que enfrentou meses de desorientação, esquecimentos frequentes e dificuldade para lembrar nomes depois de contrair Covid no início de 2020.
Apesar disso, o cérebro pode ser estimulado. Correia afirma que aprender coisas novas é uma das formas mais eficazes de preservar a memória, graças à neuroplasticidade (a capacidade do cérebro de criar novas conexões). Leituras com objetivo de aprendizado, palavras cruzadas, sudoku e exercícios cognitivos ajudam a manter diferentes áreas cerebrais ativas ao longo da vida.
Outro ponto importante é a necessidade de que as famílias conversem abertamente sobre patrimônio, decisões médicas e documentos, antes que uma doença ou acidente impeçam a pessoa de decidir por si mesma. Para o médico, evitar esse diálogo pode gerar conflitos familiares e dificultar decisões importantes em momentos delicados.
No fim das contas, a discussão sobre a memória também nos leva a uma reflexão mais profunda e afetuosa. Em uma era com excesso de fotos digitais, paradoxalmente estamos perdendo a tradição oral de sentar para folhear álbuns de fotografia e contar aos mais novos quem é quem na história da família. Preservar o cérebro, organizar a vida e compartilhar nossas memórias com quem amamos são formas de manter nossa história viva. Afinal, como lembra o próprio médico, se não cultivarmos essas lembranças no presente, quem lembrará de nós nas próximas gerações?