Lula transforma o tarifaço em trunfo político Foto: Evandro Éboli

Lula transforma o tarifaço em trunfo político

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Presidente adota tom moderado, anuncia pacote de R$ 18,5 bilhões para setores afetados e tenta converter a crise comercial com os Estados Unidos em ativo para sua campanha

O governo de Luiz Inácio Lula da Silva respondeu rapidamente ao tarifaço imposto pelos Estados Unidos. Nesta quarta-feira, o presidente lançou o programa Brasil Soberano 3, que destina R$ 18,5 bilhões em crédito aos 22 setores mais afetados pelas novas tarifas. Além disso, o governo publicou uma medida provisória com efeito imediato e enviou um projeto de lei ao Congresso para viabilizar os repasses.

Governo troca confronto por moderação

Ao contrário de discursos anteriores, Lula evitou atacar diretamente o governo americano. Em vez disso, chamou as medidas de “abruptas” e abandonou a retórica sobre reciprocidade. Assim, o Planalto buscou reduzir a tensão diplomática enquanto reforçou a imagem de um governo preparado para proteger a economia brasileira.

Além do tom moderado, o governo acelerou a resposta. O pacote saiu poucos dias após a entrada em vigor das tarifas. Em contrapartida, as empresas que receberem os recursos deverão preservar empregos. Dessa forma, o Planalto pretende minimizar os impactos econômicos e transmitir segurança ao mercado.

Lula tenta capitalizar a crise

Ao mesmo tempo, o episódio abriu espaço para Lula fortalecer seu discurso econômico. Durante o debate no MyNews, comentaristas avaliaram que o presidente converteu uma crise externa em oportunidade política. Segundo essa análise, o governo passou a ocupar a agenda pública ao anunciar investimentos e defender a indústria nacional.

O próprio presidente reforçou essa estratégia. Lula afirmou que o Brasil ampliou mercados para compensar as barreiras comerciais. Segundo o Ministério do Desenvolvimento, 75% das empresas afetadas já encontraram novos compradores no exterior. Por isso, o presidente defendeu que o país pode sair mais forte da crise ao diversificar seus parceiros comerciais.

A disputa também é política

Na avaliação apresentada no programa, o tarifaço pode produzir o efeito contrário ao esperado pelos adversários do governo. Em vez de enfraquecer Lula, a crise abriu espaço para novos anúncios econômicos e reforçou o discurso de defesa da produção nacional. Além disso, o presidente ganhou visibilidade em um período de restrições eleitorais. Agora, a aposta do Planalto é transformar a reação rápida do governo em capital político para os próximos meses.

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