colunista Natália Fernandes
Especialista em mídia digital e diretora de operações da MightyHive Brasil
Coluna – Natália Fernandes

Como colocar limite na dependência das telas e fazer a tecnologia trabalhar para você

Ferramentas e uma boa dose de mudança de comportamento podem lhe ajudar a fazer as pazes na relação com a internet
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A tecnologia surgiu para tornar a vida das pessoas mais fácil, prática, integrada e automatizada. Podemos falar com qualquer pessoa do mundo a qualquer momento, alugar um apartamento, pagar uma conta, comprar um presente, tudo em poucos cliques.

Por outro lado, a mesma tecnologia quando não utilizada da sua melhor forma pode trazer uma carga invasiva, impactando o bem-estar e saúde mental das pessoas. Mensagens fora de hora, notificações invasivas e aquela sensação incontrolável de checar o celular a cada cinco minutos podem acabar tirando o foco do que está sendo realizado e consumindo tempo precioso de forma desnecessária.

O mau uso da tecnologia se tornou patológico e já há o entendimento de que o vício em tecnologia é muito semelhante à dependência química. Existem hoje uma série de mecanismos muito bem articulados que tornam nossa experiência incrível, ativando hábitos de consumo excessivos. Há uma série de documentários sobre isso, como “O dilema das redes” (Netflix), que detalha, ainda que de forma simplista, um pouco sobre esta dinâmica.

Dependência tecnologia
Ter uma relação saudável com a tecnologia é um desafio a ser encarado por todos.
(Foto: Unsplash)

Diante desse cenário, o que fazer?

Abrir mão da tecnologia não me parece algo realista. Ela veio para ficar e a tendência é que ela ocupe um maior espaço na nossa vida cotidiana. Desta forma, os excessos passam por uma reflexão da indústria, por regulações, mas também pelo comportamento do usuário, que precisa aprender a se blindar.

E essa é a boa notícia: existem meios para se proteger do lado destrutivo da tecnologia e focar somente no que ela oferece de bom. Abaixo, listei algumas dicas que podem ajudar nesse processo:

Desative notificações em horários determinados: É comum que em um momento de descanso, sua paz seja roubada por uma notificação do celular. Uma mensagem de trabalho em horário impróprio pode levar sua mente para outros lugares distantes do lazer que você estava inserido. Portanto, determine horários para que você acesse seus e-mails, WhatsApp e quaisquer outros canais. Você acessa a tecnologia quando quiser, mas a tecnologia só te acessa quando você permite.

Lembretes de limite de uso: Aplicativos como Facebook e Instagram permitem colocar lembretes que te avisam quando você passou o limite de tempo que você mesmo pode estabelecer. Ele não impede a navegação, mas ajuda a lembrar quando você está passando do ponto.

Detox: Não serve só para a comida. Sabe aquele grupo de comunicação da família em que tudo vira uma discussão? Mande uma mensagem carinhosa, diga que precisa focar em outras áreas da sua vida e saia dos grupos. É possível manter contato com todos no individual caso algum ponto urgente aconteça.

Descanso, alimentação e despertar: Para sua mente entender que a hora de dormir se aproxima, programe a luz da tela para que vá caindo ao longo do dia. Deixe o celular de lado com pelo menos uma hora de antecedência antes de dormir e, se puder, deixe o celular longe da cama.

Durante as refeições, não leve o celular à mesa. Se estiver fora de casa, num restaurante, se vigie para não checá-lo. Não o colocar sobre a mesa pode ajudar. Ao acordar, sua primeira ação não precisa ser checar o celular. Dê uma boa espreguiçada, respire fundo e dê uns minutos a você mesmo e ao seu cérebro.

Liberte-se da hype:  Vivemos em uma sociedade em que novidades surgem o tempo todo. Não é incomum, por exemplo, se deparar com um influenciador com milhões de seguidores e ele ser um ilustre desconhecido para você. Quando isso acontece, pode nos gerar uma sensação de que estamos por fora quando deveríamos estar por dentro.

Já até uma nomenclatura para esse fenômeno: F.O.M.O (fear of missing out/ medo de perder). Basicamente, se refere ao sentimento de que você está perdendo algo extremamente importante para sua felicidade. Isso envolve uma rede social ou influenciador que você não conhece (mas supostamente deveria) ou aquele mal estar quando está no sofá e começa a ver todas as pessoas em praias paradisíacas passando pela sua timeline.

O fato é que ninguém precisa saber tudo de todas as tendências e essa obsessão só gera frustração, porque é impossível estar a par de tudo. A velocidade de produção de notícias e fatos nas redes é infinitamente maior do que a sua de consumi-las. Aceite, sempre vai ter alguma coisa acontecendo que você não sabe. Como lidar melhor com isso? Filtre o que você precisa saber e desconsidere o que não precisa. Use sua energia de forma racional e a seu favor.

Consuma tecnologia construtiva: Há uma série de aplicativos e possibilidades que te ajudam a construir uma vida melhor. Apps de mindfulness e meditações guiadas, de leitura, que incentivam e dão orientações básicas sobre a prática de esportes, alimentação saudável, e ajudam a organizar melhor as tarefas do dia.

Enfim, o fato é que a mesma tecnologia que hoje é associada ao burnout, ao excesso, tem muitos recursos para trabalhar a favor do seu bem estar. Já que a tecnologia veio para ficar, e não há dúvida sobre isso, precisa ser algo sustentável e equilibrado. O indivíduo fora da tecnologia precisa existir, ter uma vida, para olhar para a tecnologia como fonte de conteúdos incríveis. A internet tem muitos recursos que podem ser usados da melhor forma. Ajuste estes limites e faça as pazes com a sua relação com a tecnologia.

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