Sobram vagas, faltam profissionais: a desigualdade no setor de tecnologia no Brasil
Especialista em mídia digital e diretora de operações da MightyHive Brasil
Tecnologia

Sobram vagas, faltam profissionais: a desigualdade no setor de tecnologia no Brasil

Mesmo um setor considerado uma área de oportunidades não fica imune à desigualdade estrutural no país
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7 de dezembro de 2020

Os números do desemprego no Brasil são cada vez mais alarmantes. De acordo com a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mais de 14 milhões de pessoas são atingidas no país atualmente. Reflexos destes números também podem ser vistos na taxa de desocupação, que alcançou 14.6% no terceiro trimestre de 2020, sendo a maior da série desde seu início, em 2012.

Em uma realidade com crescente número de desempregados, de forma contraditória, há um segmento onde sobram oportunidades: o setor de tecnologia. Segundo a Associação Brasileira das Empresas de Tecnologia da Informação e Comunicação (Brasscom), o número de vagas disponíveis sem profissionais aptos a preenchê-las deve chegar a 264 mil empregos, entre 2019 e 2024.

Descendo mais um grau nas desigualdades que atingem a força de trabalho neste segmento, quando consideramos inclusão de gênero no setor, a disparidade também é expressiva. Trata-se de um território dominado por homens, em que mulheres representam apenas 20% dos profissionais, de acordo com o IBGE. 

Mas afinal, como tantos contrastes se configuram neste setor marcado pelas oportunidades? Ineficiência educacional e discrepâncias culturais são algumas das respostas, embora não as únicas. Um tropeço que, como país, damos sucessiva e sistematicamente, afetando diversos segmentos da economia.

Sobram vagas, faltam profissionais e mulheres: desigualdades no setor de tecnologia no Brasil
Apesar da oferta de vagas, setor de tecnologia vive dificuldade para preenchê-las.
(Foto: Annie Spratt/ Unsplash)

Ineficiência educacional

A crescente necessidade de expansão do setor, trazida pelo novo peso que a economia digital ganhou no país, aumenta o desalinho entre poucos profissionais capacitados anualmente e crescente ofertas de emprego.

A discrepância entre o número de formados e os que efetivamente conseguem vagas é marcada pela defasagem no currículo das instituições educacionais. Segundo a Brasscom, em 2017 esta diferença foi de 20 mil  profissionais, evidenciando que a qualificação trazida pelas instituições de ensino, nem sempre estão de acordo com as necessidades do mercado.

Diante disso, o país perde oportunidade de ascender como produtor de tecnologia para ocupar o papel de importador, deixando passar por entre os dedos um caminho possível para alavancagem de sua economia.

Disparidade de gênero

Esta indústria também é marcada por mulheres vastamente sub-representadas. Com isso, não apenas as empresas deixam de aproveitar um potencial do mercado, como também diferenças de gênero se tornam ainda mais significativas, afastando realidades de equiparações salariais ou representativas que possibilitam ambientes de trabalho mais diversos.

Desde a infância, os brinquedos são comumente divididos entre panelas e bonecas para meninas, videogames para meninos. A divisão reforça o estereótipo cultural de que mulheres são aptas às atividades do âmbito do seio familiar e homens à racionalidade – o que leva, posteriormente, a um número pequeno de mulheres a carreiras tecnológicas.

Como consequência, as matrículas no ensino superior em ciências humanas, letras e artes são majoritariamente ocupadas por mulheres, ao passo que engenharias ou cursos relacionados à tecnologia, tem 85,4% de homens. Já se nota aí uma clara diferença na proporção de mulheres que chegam ao mercado de trabalho.

No entanto, não apenas são em menor volume como também ganham menos para as mesmas funções, quando comparadas aos homens. Segundo o IBGE, as mulheres profissionais de tecnologia podem ganhar até 34% menos do que os homens.

Novos caminhos

Os caminhos para a resolução deste complexo problema não são simples e tampouco óbvios. Buscando minimizar os efeitos do déficit de profissionais aptos a ocuparem posições em uma área tão turbinada, bem como alcançar números mais igualitários na inclusão de gênero, as empresas têm trilhado novos caminhos.

A flexibilidade dos critérios para contratação quando diz respeito à formação acadêmica, ou ainda programas de inclusão de mulheres, têm sido caminhos adotados.

Para encontrar talentos para seu time de desenvolvedores, a Mightyhive, consultoria de mídia da S4Capital, acreditou no potencial de um processo de seleção aberto ao novo e na constante capacitação do time como diferencial. A equipe técnica é composta por profissionais com diferentes trajetórias, como por exemplo conhecimentos em Direito e Física. A empresa apostou na contratação e não foi surpreendida.

Os profissionais estão em constante crescimento na empresa, liderando projetos de inovação com uso de dados digitais de empresas gigantes. Tudo isso em menos de 3 anos. Além disso, um programa para inclusão de mulheres no quadro de funcionários também foi realizado.

Apostar em um processo de contratação diverso e focado em habilidades, somado à constante capacitação de funcionários em programas de aprendizagem contínua, são alternativas que lapidam e aceleram talentos nessa direção, visando diminuir os impactos da desigualdade no setor. Rumos que, enquanto a precariedade educacional e estereótipos culturais existirem, atuam como tampões, mas não resolvem a totalidade deste problema estrutural.

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