colunista Natália Fernandes
Especialista em mídia digital e diretora de operações da MightyHive Brasil
Coluna – Natália Fernandes

Suas informações podem fazer parte do maior vazamento de dados do Brasil

Nome completo, salário ou endereço de mais de 220 milhões de brasileiros estão sendo vendidos pela internet
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Se você já teve sua carteira furtada, sabe o tormento que é cancelar os cartões, avaliar o valor perdido em dinheiro e renovar os documentos. Além das perdas monetárias, o medo que os documentos sejam usados de forma ilegal é uma das angústias mais comuns. 

Sentimento nada agradável que já pode ser compartilhado por praticamente todos os brasileiros graças à descoberta feita pelo dfndr lab, laboratório de cibersegurança da Psafe, e divulgada na semana passada.

De acordo com a empresa, informações atreladas a pelo menos 223 milhões de CPFs no Brasil, e isso muito provavelmente inclui os seus dados, estão circulando e sendo vendidas na internet sem consentimento. 

O número, maior que o da própria população do país, assusta porque além de provavelmente incluir o CPF de pessoas que já faleceram ou que foram desativados, se configura como o maior vazamento de dados pessoais da história do país que deixou muitos de mãos atadas, uma vez que não há caminhos que possam reverter este quadro.

Vazamento da dados: informações pessoais de pelo menos 223 milhões de brasileiros estão circulando e sendo vendidos online
Dados pessoais de pelo menos 223 milhões de brasileiros estão circulando e sendo vendidos online. Foto: Michael Geiger (Unsplash).

O que foi exposto?

Nome completo, endereço, foto dos rostos, renda, imposto de renda, scores de crédito, entre outros. Além disso, também vazaram os dados de mais de pelo menos 40 milhões de empresas, incluindo CNPJ, razão social e diversos dados associados. 

O que assusta, além do volume, é a qualidade do dado, ou seja, a riqueza e granularidade de informações que ele traz, o que faz com que a questão possa ter inúmeros desdobramentos à população, que passam por compras em nomes das vítimas, fraudes bancárias, venda de patrimônios e outros crimes inimagináveis.

Quem vai pagar a conta?

A Agência Nacional de Proteção de Dados está apurando o caso e, ainda que as sanções previstas na LGPD (Lei Geral de Proteção de Dados) só possam ser aplicadas a partir de 1º de agosto deste ano, caso os responsáveis pelo vazamento sejam localizados, é possível aplicações de multas com base no Código de Defesa do Consumidor.

Para se ter uma ideia, a partir de agosto, as multas previstas na LGPD para ações nessa esfera poderão chegar a R$ 50 milhões. ​

Quais são os caminhos a seguir?

Para pessoas físicas, há muito pouco o que possa ser feito a não ser redobrar atenção com transações bancárias suspeitas, trocar senhas ou usar a autenticação dupla de contas com celular ou e-mail, por exemplo. 

Para empresas, são redobradas as responsabilidades em torno do tratamento de dados. 

O conceito de “administração de dados”, em que os usuários confiam às empresas a responsabilidade de usarem seus dados de maneira responsável, é fundamental quando falamos sobre privacidade. 

Por exemplo, usando este modelo no universo de anunciantes na publicidade, as marcas se tornam “arrendatárias” dos dados, enquanto os usuários permanecem como “proprietários” emprestando seus dados em troca de uma experiência personalizada de valor agregado. É uma forma rica e sustentável de criar relações a longo prazo.

Não é um caminho fácil e muito menos para iniciantes. A complexidade do tema exige a contratação de serviços especializados que possam conduzir os negócios de forma segura e sustentável no uso de dados a fim de gerar confiança a toda cadeia envolvida, fazendo com que os dados tragam o seu melhor uso a todas as partes. 

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