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Especialistas apontam que a facilidade de acesso às bets pelo celular amplia a exposição de adolescentes e jovens aos riscos da compulsão e do endividamento
O avanço das apostas online entre adolescentes e jovens tem preocupado especialistas e grupos de apoio a pessoas com problemas relacionados ao jogo. Relatos apontam que pessoas cada vez mais novas procuram ajuda para interromper o comportamento compulsivo. Dados de uma pesquisa realizada no Brasil mostram que 9,5% dos estudantes entrevistados fizeram a primeira aposta aos 11 anos, enquanto quase metade dos alunos do 3º ano do ensino médio afirmou já ter apostado.
A facilidade de acesso às plataformas é apontada como um dos fatores que contribuem para o aumento da exposição. Pelo celular, as apostas podem ser feitas a qualquer hora e em diferentes ambientes. A psicóloga Mariana Kehl explica que adolescentes são mais vulneráveis aos estímulos relacionados ao prazer e à recompensa porque áreas do cérebro responsáveis pelo controle de impulsos e pela avaliação de riscos ainda estão em processo de amadurecimento.
Além dos impactos emocionais, as bets também podem provocar consequências financeiras. Segundo dados do Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia (IBICT), pelo menos 24 milhões de brasileiros apostaram em 2024, e quase metade teria ficado endividada. Entre estudantes do ensino superior, pesquisa da Associação Brasileira de Mantenedoras de Ensino Superior (ABMES) apontou que 34% dos entrevistados disseram precisar reduzir os gastos com apostas para conseguir iniciar uma graduação, enquanto 14% dos universitários relataram atraso de mensalidades ou trancamento do curso por causa das apostas.
Para tentar ampliar a proteção de crianças e adolescentes no ambiente digital, o Estatuto Digital da Criança e do Adolescente (ECA Digital) entrou em vigor em março de 2026. A legislação estabelece que menores de 18 anos não podem realizar apostas online e prevê mecanismos mais rigorosos de verificação de idade e controle parental. Especialistas, porém, destacam que a prevenção depende também de educação digital, acompanhamento familiar, atuação das escolas, fiscalização e acesso a apoio para pessoas que já apresentam sinais de dependência.