Foto: André Lessa/Estadão Conteúdo
Durante mais de seis décadas de atuação, Zuenir construiu uma trajetória marcada pela cobertura de episódios políticos, questões sociais e obras que ajudaram a retratar transformações do Brasil
O jornalista e escritor Zuenir Ventura morreu aos 95 anos nesta terça-feira (22), em casa, no Rio de Janeiro, em decorrência de uma pneumonia. Integrante da Academia Brasileira de Letras (ABL) desde 2014, ele ocupava a Cadeira nº 32, na sucessão de Ariano Suassuna. O corpo será velado na sede da ABL e enterrado no Cemitério São João Batista, no Rio.
Nascido em Além Paraíba, em Minas Gerais, Zuenir teve uma trajetória profissional diversificada antes de se consolidar no jornalismo. Foi pintor de parede, office-boy, jogador de basquete, arquivista e professor universitário. Na imprensa, destacou-se pela cobertura de acontecimentos políticos e sociais e pela produção de livros como 1968 – o ano que não terminou, lançado em 1988 e posteriormente adaptado para a televisão.
Outro episódio marcante de sua carreira ocorreu em 1989, quando Zuenir foi ao Acre para investigar o assassinato do seringueiro e ambientalista Chico Mendes. Durante a cobertura, aproximou-se de Genésio, então com 13 anos, principal testemunha do caso e alvo de ameaças. O jornalista assumiu a tutela do menino, que passou a viver com sua família até completar 18 anos.
Zuenir também recebeu reconhecimento por Cidade Partida, publicado em 1994, obra sobre violência, desigualdade e divisão social no Rio de Janeiro a partir de sua experiência em Vigário Geral. O livro venceu o Prêmio Jabuti, e o jornalista também recebeu o Prêmio Esso, o Vladimir Herzog e, em 2008, uma homenagem da ONU por sua contribuição à defesa dos direitos humanos. Ele deixa a mulher, Mary Ventura, e os filhos Mauro Ventura e Elisa Ventura.