Alexandre de Moraes, ministro do Supremo Tribunal Federal | Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil
Sessão analisa relatório da PF sobre mensagens atribuídas a Daniel Vorcaro e questionamentos envolvendo o ministro Alexandre de Moraes
O plenário do Supremo Tribunal Federal (STF) analisa nesta terça-feira (15) o relatório da Polícia Federal sobre mensagens e anotações encontradas no celular de Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master. O presidente da Corte, Edson Fachin, convocou a sessão extraordinária. Os ministros vão avaliar se existem elementos para abrir uma investigação contra Alexandre de Moraes.
A PF encontrou registros sobre contratos de R$ 130 milhões e R$ 50 milhões entre empresas de Vorcaro e o escritório de Viviane Barci de Moraes, mulher do ministro. O relatório também cita mensagens enviadas por Vorcaro a Moraes antes da prisão do banqueiro, em novembro de 2025. Em uma delas, Vorcaro perguntou se deveria deixar o país. A PF também identificou registros de encontros entre os dois.
Moraes nega qualquer irregularidade. O ministro afirma que nunca favoreceu Vorcaro ou o Banco Master. Ele também diz que não participou de processos envolvendo o banqueiro ou a instituição financeira.
Na manifestação enviada ao STF, Moraes afirma que o relatório não apresenta mensagens de sua autoria que indiquem favorecimento ou acesso antecipado a informações da PF. Segundo ele, a investigação também não encontrou indícios de crime praticado por sua parte.
Moraes também questiona a forma como a investigação começou. Ele afirma que André Mendonça determinou a apuração sem uma solicitação prévia da Procuradoria-Geral da República (PGR) ou da Polícia Federal. A PGR adotou posição semelhante e pediu o arquivamento do relatório por considerar que houve vício na origem da investigação.
Outro ponto levantado pelo ministro envolve um possível vazamento de informações. Moraes afirma que Vorcaro foi preso no Aeroporto Internacional de Guarulhos enquanto tentava embarcar em um jato particular. O banqueiro estava com o passaporte e o celular, segundo o ministro. Para Moraes, esses fatos indicam que Vorcaro não sabia da operação com antecedência.
Moraes também atribui motivação “político-eleitoral” às acusações. O ministro afirma que a ofensiva tenta atingir sua atuação no Supremo e responsabilizá-lo por anotações feitas por terceiros.
Agora, o plenário do STF vai analisar o relatório da PF, as manifestações apresentadas pelas partes e os argumentos de Moraes. Os ministros decidirão se existem elementos suficientes para abrir uma investigação contra o magistrado.