Pandemia

Bolsonaro segue dando as cartas no ministério da Saúde, diz ex-ministro da pasta

José Gomes Temporão avalia gestão de Marcelo Queiroga e comenta o caso da "capitã cloroquina"
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Coletiva do Ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, sobre vacinação. Foto: Tony Winston/MS/Fotos Públicas
Coletiva do Ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, sobre vacinação. Foto: Tony Winston/MS/Fotos Públicas

No próximo dia 23 de abril, o médico cardiologista Marcelo Queiroga completa um mês no comando do Ministério da Saúde. Ele é o quarto ministro escolhido pelo presidente Jair Bolsonaro (sem partido) para cuidar da pasta desde o início da pandemia de covid-19. Nesse período, Queiroga retirou militares do ministério, mas ainda mantém alguns médicos que defendem tratamentos sem comprovação científica, como a médica Mayra Pinheiro, da Secretaria de Gestão do Trabalho, conhecida por muitos por “capitã cloroquina”.

José Gomes Temporão, médico sanitarista, ex-ministro da saúde (de 2007 a 2010) e pesquisador da Fiocruz, falou ao MyNews e explicou a importância da Secretaria de Gestão do Trabalho. Segundo ele, há uma divisão dentro do ministério e falta autonomia para o ministro.

“É uma coisa curiosa, o ministro é um cardiologista, é presidente de uma sociedade de especialista, então traz uma expectativa positiva evidentemente e ele começa a fazer algumas mudanças, começa a chamar algumas pessoas do campo da saúde pública. Mas quando se analisa o quadro hoje, é bastante claro que nós temos dois ministérios que estão se estruturando, onde um não dialoga com o outro, porque é impossível a ciência dialogar com o negacionismo e a saúde pública negaciar com a negação da prevenção”, analisa o ex-ministro da saúde.

Temporão avalia que o atual ministro da Saúde não tem autonomia e que tudo é definido pelo presidente Bolsonaro. O ex-ministro afirma que a situação não é a ideal porque não há como ter coesão e montar uma equipe que converse nesta situação.

Sobre a “capitã cloroquina”, a médica Mayra Pinheiro, Temporão da um breve histórico. “Ela é uma pediatra de formação do Ceará que ficou conhecida nacionalmente por ser a líder dos médicos que hostilizaram os médicos cubanos que vieram trabalhar no Mais Médicos, no governo Dilma e chamou a atenção pela postura raivosa, agressiva, profundamente deselegante ao receber esse profissionais (…). Ela cuida da Secretaria de Gestão de Trabalho e é responsável pela educação e da gestão das pessoas nas instituições nas organizações do SUS”, diz o pesquisador da Fiocruz.

Ainda sobre Mayra, o ex-ministro se diz surpreso por ela estar responsável por essa secretaria, já que a médica não tem qualificação para o cargo que ocupa.

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