colunista Juliana Braga
Jornalista do MyNews
ANÁLISE

Briga por cargos na Mesa é Centrão em estado bruto

Disputa por duas cadeiras na Mesa Diretora servem como indicativo dos próximos dois anos de mandato de Arthur Lira
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Na tarde que precedeu a vitória do deputado Arthur Lira (PP-AL) como presidente da Câmara, a movimentação nos corredores da Casa eram intensas para acertar os acordos de última hora. Esses acordos nada tinham a ver com pautas, propostas ou mesmo um esboço de agenda legislativa. O cerne da discussão: cargos e poder na burocracia administrativa. Era de se imaginar que, com a eleição faturada, a celeuma fosse página virada. Não é, e as primeiras horas do comando de Arthur Lira seguem pautadas por duas cadeiras a mais ou a menos na Mesa Diretora.

Em discurso, à tribuna, presidente da Câmara dos Deputados, deputado Arthur Lira (PP-AL).
Em discurso, à tribuna, presidente da Câmara dos Deputados, deputado Arthur Lira (PP-AL). Foto: Pedro França (Agência Senado).

Traduzo: o PT formalizou a adesão ao bloco do deputado Baleia Rossi (MDB-SP) somente às 12h06, portanto, seis minutos após o fim do prazo. Com isso, o bloco de Baleia também foi registrado tardiamente e o grupo de Arthur Lira tentou invalidar o arranjo. Rodrigo Maia, até então o detentor da caneta, fez vista grossa para o que classificou como falha no sistema e mandou seguir o baile. Eleito, Lira tratou de anular a existência do grupo como primeiro ato de seu mandato.

Como os espaços na Mesa Diretora e nas comissões temáticas são distribuídos de forma proporcional aos tamanhos dos blocos e bancadas, os aliados de Baleia Rossi perdem duas cadeiras – além da estrutura de cargo que as acompanham. E mais, em vez de terem direito à Primeira Secretaria, ficariam apenas com a Quarta, menos importante. A briga já está no Supremo Tribunal Federal (STF).

Não é de se espantar que as primeiras horas da nova gestão sejam dominadas por discussões da cozinha do Congresso. As semelhanças entre as legendas que compõem o Centrão são muito mais procedimentais do que ideológicas. A briga por espaços e cargos nada mais é que o Centrão em estado bruto. Pautas, projetos e votações ficam para depois.

Ainda está cedo para sacramentar, mas essas primeiras horas já servem como um indicativo do que se pode esperar dos próximos dois anos. O grupo de Lira, que o presidente Jair Bolsonaro ajudou a chegar ao Poder, tem apetite, e não é dado a deixar para lá.

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