Desenrola dá alívio imediato, mas não resolve problema estrutural do crédito Divulgação

Desenrola dá alívio imediato, mas não resolve problema estrutural do crédito

Tamanho do texto:

Programa pode melhorar o humor das famílias e impulsionar a popularidade de Lula, mas especialistas alertam que os juros altos e as distorções no crédito permanecem

O programa Desenrola pode representar uma das medidas com maior potencial para melhorar a percepção popular do governo Lula no curto prazo. A avaliação é de que a iniciativa ajuda famílias endividadas a reorganizar as finanças e recuperar parte da capacidade de consumo. No entanto, especialistas alertam que a medida não enfrenta as causas estruturais do alto endividamento no país.

Mara Luquet afirmou que o Desenrola deve gerar um impacto positivo imediato no humor das famílias. “Vai resolver no curto prazo, sim”, avaliou. Segundo ela, a renegociação das dívidas oferece fôlego para milhões de brasileiros, mas não altera a dinâmica de um mercado de crédito que continua operando com juros elevados.

FGTS no Desenrola já soma 17 mil operações para quitar dívidas

A jornalista chamou atenção para o crescimento de modalidades de crédito que, na prática, ampliam o endividamento dos trabalhadores. Entre elas está a antecipação salarial, que não é contabilizada oficialmente como crédito. Além disso, Mara destacou que o crédito consignado, criado para oferecer empréstimos mais baratos, vem sendo utilizado de forma distorcida. “Hoje você tem consignados cobrando 15% ao mês. É uma taxa absurda”, afirmou.

O caso Banco Master expôs problemas já existentes no setor, mas não criou essas práticas. Mesmo após a liquidação da instituição e a prisão de personagens ligados ao esquema investigado, o mercado continua operando com taxas elevadas e pouca fiscalização. Por isso, embora o Desenrola possa beneficiar o governo politicamente e aliviar a situação financeira de muitas famílias, a medida não resolve o problema histórico do crédito caro no Brasil.

Compartilhar:

Relacionados