Entre oportunidades e desafios, IA entra no debate sobre o futuro do Brasil Primeiro painel do seminário. Foto: MyNews

Entre oportunidades e desafios, IA entra no debate sobre o futuro do Brasil

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Seminário da Associação Comercial de São Paulo reuniu representantes do governo, empresas e especialistas que defenderam o uso responsável da inteligência artificial para impulsionar inovação, empreendedorismo e desenvolvimento econômico

A inteligência artificial  já faz parte da rotina de empresas, governos e consumidores, transformando a forma como pessoas trabalham, produzem e tomam decisões. Diante desse cenário, a Associação Comercial de São Paulo (ACSP) promoveu nesta segunda-feira (1º) o seminário IA e o Futuro do Brasil, reunindo representantes do setor público, da iniciativa privada e do ecossistema de inovação para discutir os impactos da tecnologia no país.

O evento contou com a participação da deputada federal Adriana Ventura (Novo-SP), integrante da Comissão Especial de Inteligência Artificial da Câmara dos Deputados; de Marcelo Pedroso, coordenador da Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação do Estado de São Paulo; de Rafael Forte, cofundador da VTEX; de Luiz Portela, diretor de Novos Negócios da Omnia Data Centers; além de executivos do Google Brasil, especialistas em tecnologia e representantes de startups.

Ao longo dos debates, o tom predominante foi de otimismo. Embora os participantes tenham reconhecido desafios relacionados à regulamentação, educação e uso responsável da tecnologia, houve consenso de que a inteligência artificial representa uma oportunidade estratégica para aumentar a competitividade brasileira.

Entre inovação e responsabilidade

A deputada Adriana Ventura defendeu uma regulamentação equilibrada, capaz de proteger a sociedade sem criar obstáculos para o desenvolvimento tecnológico. “Algumas questões têm que ser tratadas de forma milimétrica, mas não regulamentar tudo”, afirmou.

Durante o debate, a parlamentar também destacou os desafios enfrentados pela sociedade diante da rápida evolução tecnológica: “Eu vejo jovens que estão aprendendo a lidar com isso, e com dificuldade. Eles ainda não sabem lidar com isso. A gente ainda não achou a justa medida de como usar.”

Apesar das preocupações, Adriana deixou claro que vê a inteligência artificial como uma ferramenta de enorme potencial. Em entrevista ao MyNews, ela classificou a IA como uma “arma muito poderosa”, mas ressaltou que enxerga principalmente os benefícios que a tecnologia pode trazer para o desenvolvimento econômico e social do Brasil.

Educação como prioridade

Outro tema central do seminário foi a preparação da sociedade para as transformações provocadas pela inteligência artificial.

Marcelo Pedroso destacou que a adaptação às mudanças tecnológicas será inevitável para empresas, governos e profissionais. “A dor de não mudar tende a ser maior do que a dor de mudar. Como podemos mudar com as mudanças e as consequências delas?”

O representante da Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação também chamou atenção para a importância dos investimentos em qualificação profissional. “Se custa muito investir em educação, imagina o custo de não investir?”, afirmou.

Ao abordar os riscos do uso inadequado da tecnologia, Pedroso utilizou uma analogia para ilustrar a necessidade de equilíbrio: “Qual é a diferença do medicamento e do veneno? A dose. A IA pode virar um veneno dependendo da quantidade.”

Em entrevista ao MyNews, ele também destacou o papel da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) no fortalecimento do setor. Segundo Pedroso, a instituição tem subsidiado projetos de pesquisa, inovação e desenvolvimento tecnológico voltados para startups e empresas, contribuindo para ampliar a capacidade competitiva do estado.

O diferencial do empreendedor brasileiro

A capacidade de adaptação dos brasileiros foi outro tema recorrente durante o encontro.

Para Rafael Forte, cofundador da VTEX, a experiência de empreender em um ambiente frequentemente marcado por desafios econômicos e regulatórios acabou desenvolvendo uma característica valiosa para o cenário atual.

“O brasileiro se dá muito bem porque sabe lidar com crise. A capacidade de adaptação é muito grande. A caneta não cai às 17h. O empreendedor brasileiro é resiliente.”

Em sua avaliação, o empreendedor brasileiro possui uma vocação natural para encontrar soluções e se reinventar diante das dificuldades, característica que pode favorecer a adoção da inteligência artificial nos próximos anos.

IA já chegou ao varejo

Em entrevista ao MyNews, Tito Barroso, coordenador do Conselho de Inovação e Startups (Conin) e do Pateo76 da ACSP, afirmou que a inteligência artificial já deixou de ser uma tecnologia do futuro.

Segundo ele, o varejo é um dos setores que mais tem incorporado soluções baseadas em IA, utilizando a tecnologia para melhorar processos, personalizar experiências de consumo e aumentar a eficiência operacional.

A expansão dessas ferramentas representa um importante avanço para a competitividade das empresas brasileiras e reforça a necessidade de ampliar o debate sobre inovação e transformação digital.

Infraestrutura e sustentabilidade

O crescimento acelerado da inteligência artificial também traz desafios relacionados à infraestrutura tecnológica necessária para sustentar esse avanço.

Durante o seminário, Luiz Portela, diretor de Novos Negócios da Omnia Data Centers, abordou questões ligadas à expansão dos data centers e à necessidade de equilibrar o desenvolvimento tecnológico com a preservação ambiental.

O tema tem ganhado relevância à medida que cresce a demanda por capacidade computacional, armazenamento de dados e processamento de sistemas de inteligência artificial.

Ao final do encontro, os participantes concordaram que o Brasil possui condições de ocupar uma posição relevante na nova economia digital. Para isso, porém, será necessário combinar inovação, investimento em educação, apoio ao empreendedorismo, infraestrutura tecnológica e uma regulamentação capaz de oferecer segurança sem limitar o potencial de crescimento do setor.

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