Parlamentares recuam, retiram assinaturas contra PEC 6×1 e culpam suas assessorias Mobilização a favor do fim da escala 6x1 pressionou parlamentares no Congresso; a PEC tem apoio popular e o ano é eleitoral | Foto: Evandro Éboli/MyNews APÓS PRESSÃO

Parlamentares recuam, retiram assinaturas contra PEC 6×1 e culpam suas assessorias

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Três deputados e três senadores, após pressão nas redes, retiraram assinaturas de apoio a textos contra a PEC 6×1, e culparam seus servidores

Pelo menos seis parlamentares – três deputados e três senadores – recuaram e retiraram suas assinaturas em apoiamento a propostas que tramitam contra a emenda constitucional que prevê o fim da escala 6×1 de trabalho e reduz a jornada para 40 horas, aprovada pela Câmara. A PEC 6×1 tem apoio popular e o ano é eleitoral.

Todos esses seis foram às suas redes sociais fazer esse anúncio após pressão de eleitores e, principalmente, de centrais sindicais, que lotaram suas caixas de mensagem e suas redes, além de telefonemas aos respectivos gabinetes, com manifestações de repúdio.

Na Câmara, entre esses três deputados, está até o presidente nacional do MDB, Baleia Rossi (MDB-SP), além de João Carlos Bacelar (PL-BA) e Aline Gurgel (União-AP). Eles assinaram propostas para adiar a votação na Câmara e também uma outra que estendia para dez anos o período de transição da redução da jornada, das atuais 44 horas para 40 horas.

Aline e Bacelar, nos vídeos que gravaram e postagens que fizeram, ainda culparam suas assessorias pela assinatura e adesão incorreta a algo contra o fim da escala 6×1. Em vídeo, a deputada afirmou que “todos os trabalhadores lá de casa folgam o sábado e o domingo”. E afirmou que o erro foi de um assessor de seu gabinete, que achou que estava assinando algo relacionado à Frente da Agropecuária.

“Não autorizei minha assinatura e super defendo que os trabalhadores tenham o sábado e o domingo de descanso. E desde que me casei nenhum trabalhador meu, nosso, trabalhou no sábado e domingo. Realmente fiquei super triste. Foi um equívoco pegar a assinatura em no meu gabinete e nosso legislador (funcionário), que é muito experiente, se confundiu achando e foi induzido ao erro achando que era algo da Frente Agropecuária. E não autorizei”, disse Aline Gurgel, em vídeo, e votou a favor da PEC, contra a escala 6×1, nos dois turnos na Câmara.

“RETIREI MINHA ASSINATURA”

Bacelar foi na mesma linha e responsabilizou a sua assessoria por colocar sua assinatura numa proposta que adiava a tramitação da proposta.

“Está sendo divulgado na mídia que assinei uma PEC para adiar a discussão da PEC 6×1. Quero dizer a vocês que já retirei minha assinatura desse PEC e que isso foi um erro técnico do meu gabinete, em Brasília, e dizer a todos vocês, dona Maria, seu Zezinho, aí nos rincões no Brasil, que sou favorável ao trabalhador brasileiro”, disse João Carlos Bacelar, em vídeo postado nas suas redes.

Só que Bacelar não votou em nenhum dos dois turnos na Câmara da apreciação da PEC, em 27 de maio,  Está no grupo reduzido de apenas 18 deputados que não votaram. Ao todo, 480 (primeiro turno) e 494 (segundo turno), dos 513 deputados, deram quórum e votaram.

Baleia Rossi declarou nas redes que sempre foi a favor da redução da escala, que podem cobrar dele esse compromisso e anunciou que retiraria sua assinatura da emenda que ampliava para dez anos o período de transição da redução da jornada.

“Agora quero deixar claro, votarei contra a transição por dez anos. Podem me cobrar esse compromisso”, postou Baleia, que votou a favor da PEC, para reduzir a jornada, nos dois turnos na Câmara.

O RECUO DOS SENADORES

No Senado, os senadores Romário (PL-RJ), Cleitinho (Republicanos-MG) e Zequinha Marinho (Podemos-PA) retiraram suas assinaturas da PEC da oposição contrária a que acaba com a escala 6×1 e a jornada de 44 horas, que ainda irá tramita na Casa. Apresentada por Rogério Marinho (PL-RN), líder da Oposição no Senado, esse texto prevê flexibilizar a jornada de trabalho com o pagamento da hora trabalhada. Os três, e os quase 40 que apoiaram essa ideia, foram alvos de pressão nas redes.

E foram, os três, para as redes anunciar o recuo. Cleitinho anunciou sua desistência da PEC bolsonarista também no microfone do plenário:

“Tem dois anos que tô falando aqui que quero acabar com o fim da escala. Então tô tirando minha assinatura”, disse o parlamentar mineiro, que é cotado para disputar o governo de Minas Gerais, e favorito nas pesquisas.

Diante da pressão popular, Romário não hesitou e também retirou sua adesão à proposta alternativa da oposição à PEC 6×1.

“Entendi que muita gente viu o texto como algo prejudicial ao trabalhador brasileiro. E, se o povo entende assim, não faz sentido eu continuar nela”, anunciou o senador do Rio.

Zequinha Marinho gravou um vídeo ao lado de lideranças sindicais de seu estado ao anunciar seu recuo na proposta de Marinho.

“Ao longo da minha vida pública, sempre procurei ouvir trabalhadores, representantes de categorias e a população paraense. É assim que acredito que a política deve ser feita: com diálogo, respeito e participação. Por isso, diante das manifestações sobre a escala 6×1, decidi retirar minha assinatura dessa proposta.

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