Por que o terremoto na Venezuela foi tão destrutivo? Foto: Folha PE

Por que o terremoto na Venezuela foi tão destrutivo?

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Especialista explica por que o forte terremoto na Venezuela causou tantos danos, por que foi sentido no Norte do Brasil e se existe risco de um evento semelhante em território brasileiro

O forte terremoto que atingiu a Venezuela chamou atenção pela magnitude. Além disso, a sequência de dois grandes abalos em poucos segundos surpreendeu especialistas. Segundo o geofísico Marcelo Sousa de Assumpção, professor titular da USP, os dois tremores fizeram parte do mesmo evento sísmico.

Assumpção é um dos principais especialistas brasileiros em sismologia. Formou-se em Física pela USP e concluiu o doutorado em Geofísica na Universidade de Edimburgo. Depois, realizou pós-doutorado nos Estados Unidos. Também integra a Academia Brasileira de Ciências e recebeu o Prêmio Jabuti pelo livro Sismicidade no Brasil.

Dois terremotos em menos de um minuto, mais de 20 réplicas e tremores sentidos no Brasil: o que aconteceu na Venezuela?

Segundo o pesquisador, o terremoto ocorreu após o rompimento de uma falha entre a Placa do Caribe e a Placa Sul-Americana. O deslocamento aconteceu em dois momentos muito próximos. Por isso, os registros indicaram dois abalos quase simultâneos.

O que tornou o terremoto tão destrutivo?

A magnitude de 7,5 explica apenas parte dos danos. Segundo Assumpção, a ruptura ocorreu em baixa profundidade. Dessa forma, as ondas sísmicas chegaram à superfície com mais intensidade.

Outro fator agravou a situação. Muitas construções da região não seguem normas rigorosas de engenharia antissísmica. Como resultado, casas e prédios sofreram mais danos.

O Brasil corre risco?

Os tremores foram sentidos em cidades do Norte do Brasil. Entre elas estão Boa Vista, Manaus e Belém. Isso ocorreu porque as ondas sísmicas conseguem percorrer grandes distâncias. Em alguns casos, elas fazem edifícios altos balançarem.

Mesmo assim, o especialista descarta risco para o Brasil. O país fica no interior da Placa Sul-Americana. Essa é uma região considerada geologicamente estável. Os grandes terremotos costumam ocorrer nas bordas das placas tectônicas.

Engenharia faz diferença

Assumpção compara a Venezuela com o Chile. Os dois países convivem com terremotos fortes. No entanto, o Chile costuma registrar menos destruição proporcional.

Segundo o professor, a principal diferença está nas construções. O país adota normas rígidas de engenharia antissísmica. Isso reduz o número de mortes e evita o colapso de muitos edifícios.

O que acontece agora?

Os cientistas seguem monitorando a região afetada. O objetivo é entender melhor o comportamento da falha geológica.

Réplicas ainda podem ocorrer nos próximos dias. Esse processo é considerado normal após um grande terremoto. No entanto, Assumpção afirma que isso não aumenta o risco de um grande tremor no Brasil. Também não indica que outro evento semelhante esteja prestes a acontecer.

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