Pôster da Dark Horse. Foto: Reprodução
Felipe Recondo avalia que calendário eleitoral deve adiar buscas e outras medidas contra o senador, mas apuração pode atingir empresários e parlamentares envolvidos
A investigação sobre o financiamento do documentário Dark Horse pode avançar de forma mais discreta durante o período eleitoral. A avaliação é do jornalista Felipe Recondo, que comentou o caso nesta sexta-feira (24), durante participação no Café do MyNews.
O ministro André Mendonça autorizou a Polícia Federal a abrir um inquérito para investigar o destino de emendas parlamentares destinadas ao projeto. Agora, os agentes poderão colher depoimentos, reunir documentos e apurar se houve desvio de recursos públicos para outras finalidades.
Apesar disso, Recondo considera improvável que a PF realize uma busca e apreensão contra Flávio Bolsonaro antes das eleições. Segundo ele, uma medida desse tipo contra um candidato à Presidência poderia criar um fato político e interferir diretamente na disputa.
“Tem que preservar as investigações e fazer com que elas sigam, mas, ao mesmo tempo, não ser instrumento de interferência no processo eleitoral”, afirmou.
Embora uma operação contra Flávio seja considerada pouco provável neste momento, a investigação pode alcançar outros envolvidos. Entre os possíveis alvos estão empresários responsáveis pela produção do filme e parlamentares que participaram da destinação dos recursos.
Recondo ressaltou que o Supremo Tribunal Federal e o Tribunal Superior Eleitoral não podem servir como instrumentos para desequilibrar a disputa. No entanto, caso exista risco de destruição de provas, os investigadores poderão pedir medidas urgentes.
O jornalista comparou a situação com a apuração sobre o Banco Master. Para ele, o calendário eleitoral também pode explicar a demora em depoimentos, delações e operações mais ostensivas nesse caso.
Além disso, investigações complexas exigem a análise de celulares, computadores e documentos apreendidos. Por isso, Recondo acredita que os casos podem ganhar novo ritmo depois das eleições e resultar em denúncias apenas no próximo ano.