Operação da PF atinge Jaques Wagner, líder do governo Lula Senador Jaques Wagner. Foto: Evandro Éboli

Operação da PF atinge Jaques Wagner, líder do governo Lula

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Investigação envolve suposta propina de apartamento ao petista

Em matéria recente, o MyNews já apontava que as investigações sobre o Banco Master não deveriam se limitar ao banqueiro Daniel Vorcaro. A análise mostrava que a Polícia Federal ainda precisava esclarecer o papel de Augusto Ferreira Lima, e mapear suas conexões políticas. Agora, o nome do senador Jaques Wagner aparece formalmente nos relatórios da investigação.

O casamento do Master com a política

A investigação da Polícia Federal sobre fraudes envolvendo o Banco Master cita o parlamentar em episódios que envolvem Augusto Lima, apontado pelos investigadores como uma das peças centrais da estrutura política ligada ao esquema. Segundo a corporação, as apurações buscam esclarecer a natureza da relação entre os dois e o possível vínculo com negócios investigados na Operação Compliance Zero.

Segundo a PF, mensagens extraídas do celular de Augusto Lima indicam que, em novembro de 2024, Wagner encaminhou ao empresário o contato de um gerente da construtora Moura Dubeux, responsável pelo empreendimento Poème Horto, em Salvador. Em seguida, Lima recebeu informações sobre uma unidade avaliada em cerca de R$ 2,45 milhões e repassou os detalhes a terceiros. Os investigadores tratam o episódio como um dos elementos mais relevantes da apuração e analisam se o imóvel teria relação com pagamento de vantagem indevida.

O documento também descreve uma relação próxima entre Wagner e Augusto Lima. Em um dos trechos, a PF afirma que o empresário disponibilizou uma aeronave particular para transportar o senador e familiares até a chamada “Ilha da Paixão”, em outubro de 2023. Mensagens reproduzidas no documento mostram o envio de informações sobre o voo e a organização da viagem.

As citações ao líder do governo aparecem no contexto da Operação Compliance Zero, que investiga suspeitas de lavagem de dinheiro, fraudes financeiras e pagamento de propinas envolvendo o Banco Master. Embora o banqueiro Daniel Vorcaro seja o principal alvo público do caso, os investigadores também concentram esforços sobre Augusto Lima, apontado como responsável por conectar empresários e agentes políticos ao grupo.

Após a divulgação das informações, o presidente nacional do PT, Edinho Silva, saiu em defesa de Jaques Wagner. Em nota, afirmou que o senador é “depositário de toda a nossa confiança” e declarou que o partido apoia as investigações. “A sociedade tem o direito de saber a verdade. Os crimes cometidos precisam ser apurados e os responsáveis penalizados. Temos confiança que Jaques Wagner esclarecerá todos os fatos, comprovando a sua inocência”, disse. Até o momento, o senador não foi denunciado nem acusado formalmente de qualquer crime.

Casamento reuniu nomes de diferentes espectros políticos

A proximidade de Augusto Ferreira Lima com lideranças políticas de diferentes correntes também aparece em episódios citados ao longo das investigações. Em janeiro de 2024, o empresário promoveu uma luxuosa festa de casamento na Ilha dos Frades, na Bahia, reunindo autoridades, empresários e políticos de partidos rivais em um mesmo evento.

Entre os convidados estavam o senador Jaques Wagner, líder do governo Lula no Senado, o então ministro da Casa Civil Rui Costa, o ex-prefeito de Salvador ACM Neto, o presidente do PSD, Gilberto Kassab, e o ex-ministro João Roma. Para investigadores e analistas do caso, a lista de convidados ajuda a ilustrar a ampla rede de relações construída por Augusto Lima, apontado como um dos principais articuladores políticos ligados aos negócios que orbitavam o Banco Master.

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