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OPINIÃO

A força das palavras

Atualmente a palavra que define o clima político no Brasil é polarização. Especialistas reclamam que o debate dividido entre dois polos é prejudicial às grandes questões que o país tem de enfrentar
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Devo admitir que ando bastante cansado. Atravessando um longo período que muitos costumam definir como de inferno astral. Sonhos interrompidos, pandemia, dificuldades financeiras… Bolsonaro. É duro detestar um sujeito que diariamente dá as caras para nos atormentar.

Detestar talvez seja a palavra amena para o que sinto. Tenho de admitir para quem lê esse texto que é ódio mesmo. Palavra forte, que certamente será condenada por dar as caras assim tão abertamente. Entretanto poucos entenderão como faz bem pra mim utilizar esse espaço para dizer abertamente: Eu odeio Bolsonaro! Ufa! Terapêutico.

Atualmente a palavra que define o clima político no Brasil é polarização. Especialistas reclamam que o debate dividido entre dois polos é prejudicial às grandes questões que o país tem de enfrentar. Tanto é assim que várias correntes estão buscando a todo custo uma terceira via.

Concordo que estar entre Bolsonaro e Lula não é a alternativa que mais me agrada, porém considero que esta polarização não é aquela que deveria estar acontecendo agora. A polarização correta seria impeachment ou não do presidente, mas ninguém parece se entender nessa questão, preferindo discutir uma eleição que será polarizada da maneira errada.

Fazendo a feira, ouvi a repetição de palavras que me deixaram indignado, mas evitando a pecha de ser considerado chato, afinal não conhecia a pessoa que mencionava tal barbaridade, passei sem debater. Aqui vai um alerta aos analistas políticos. No meio da plebe, essa coisa de direita e esquerda é irrelevante para a maioria. Palavras que não definem a condição política de um sujeito desinformado, que trabalha seis dias por semana para sustentar a família e nas eleições escolhe um presidente que mantenha sua situação mais cômoda possível.

Como em 18 os eleitores estavam atravessando um período de crise e as notícias de corrupção imperavam, consideraram que a alternativa Bolsonaro moralizaria o país. Erro de quem só acompanha política de quatro em quatro anos. Temos de perdoar essa ignorância popular, afinal políticos experientes e celebridades se deixaram enganar pelo discurso do mitomaníaco.

Justamente por causa dessa ignorância, os mais humildes creem na figura que elegeram. Bolsonaro, por mais tosco e mentiroso que seja, ainda é o presidente, a mais alta autoridade do país, então para o sujeito simples o que ele fala é uma realidade.

Assim ouvi palavras malditas na última segunda-feira. “Não vou me vacinar, pois não quero pegar AIDS. Morro do corona, mas não morro de AIDS”, dizia um homem de seus cinquenta anos, rindo-se do outro que de mais idade que ansiava pela terceira dose para se sentir seguro. Continuei comprando minhas bananas e não me comprometi.

Palavra de honra, até o momento em que escrevo estas mal traçadas linhas ainda estou me questionando se deveria dar uma palavra ali, avisar que era mentira de um presidente mentiroso, que não se adquire AIDS com a vacina. Mas estou cansado de lutar e perder estas pequenas batalhas.

Convencer um minion das barbaridades do ídolo maior é tarefa para um Hércules, coisa que estou longe de ser. Bolsonaro já deveria estar fora da presidência, afinal suas palavras ferem e enganam, causando males ao país que demorarão a serem remediados.


Quem é Edilson Luiz da Silva?

Edilson Luiz da Silva é escritor. Autor do livro Pedro Feroz publicado pela editora Kazuá

* As opiniões das colunas são de responsabilidade do autor e não refletem necessariamente a visão do Canal MyNews


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